Bento XVI ofereceu hoje uma prova concreta da sua vontade de dialogar com as outras Igrejas ao consagrar a Basílica de São Paulo Fora de Muros, em Roma, como local de diálogo entre cristãos. Com o motu proprio “A antiga e venerável Basílica”, na qual renovou as normas do exercício de culto na Basílica patriarcal, o Papa quer renovar a vida neste espaço visitado, todos os anos, por milhões de pessoas.
A Basílica, construída no local onde se acredita ter sido martirizado São Paulo, tem junto a si, há treze séculos, a Abadia beneditina com o mesmo nome.
“Em tempos recentes, a Santa Sé demonstrou um interesse especial em promover na Basílica ou no âmbito da Abadia, acontecimentos de carácter ecuménico. Portanto, os monges, sob a supervisão do arcipreste, estão encarregados de organizar, coordenar e promover esses actos, com a ajuda dos irmãos Beneditinos e de outras Abadias, e de acordo com o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos”, escreve o Papa no documento divulgado pela Santa Sé.
Bento XVI pede ainda que o “Apóstolo dos Gentios” ilumine e proteja “todos quantos trabalham nessa Basílica e os peregrinos que se dirigem a esse lugar sagrado”. O Papa surpreendeu quando decidiu visitar a Basílica de São Paulo fora de Muros antes da Catedral do Bispo de Roma, a Basílica de São João de Latrão.
Ao visitar o túmulo do “Apóstolo dos Gentios”, no dia 25 de Abril, Bento XVI quis manifestar a sua “solicitude por todas as Igrejas”.
Novo arcipreste
O Papa decidiu que este lugar de peregrinação tenha, como as outras Basílicas maiores de Roma, o seu próprio arcipreste, cargo para o qual nomeou o arcebispo Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, de 79 anos de idade, antigo núncio apostólico em Israel e na Itália, conhecido como exímio diplomata e homem de conciliação.
O arcipreste terá um vigário para a pastoral, que será o abade dos Beneditinos em São Paulo - neste momento o inglês Edmund Power, de 52 anos -, e um delegado para a administração. A partir de agora, a eleição do abade do mosteiro de São Paulo tem de ser confirmada pelo Papa.
A Basílica de São Paulo pertence à Santa Sé em virtude do Tratado Lateranense de 1929, assinado com a Itália, que deu vida ao que é hoje o Estado da Cidade do Vaticano.