Vaticano

Papa quer Igreja atenta aos doentes mentais

Octávio Carmo
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A celebração do XIV Dia Mundial do Doente, a 11 de Fevereiro de 2006, será centrada nos problemas relacionados com a doença mental, conforme revela a mensagem do Papa para essa ocasião, hoje publicada (texto integral) pela sala de imprensa da Santa Sé (http://212.77.1.245/holy_father/benedict_xvi/messages/sick/documents/hf_ben-xvi_mes_20051208_world-day-of-the-sick-2006_it.html). Bento XVI refere que “a Igreja deseja inclinar-se com particular solicitude ante as pessoas que sofrem, chamando a atenção da opinião pública sobre os problemas ligados com a dificuldade mental, que afecta um quinto da humanidade e constitui uma real e verdadeira emergência sócio-sanitáriaâ€. A celebração terá lugar em Adelaide, Austrália, e as manifestações culminarão com a celebração eucarística na Catedral dedicada a São Francisco Xavier, incansável missionário das populações do Oriente. Segundo Bento XVI, é fundamental “reflectir sobre a situação dos doentes mentais no mundo e solicitar o compromisso das comunidades eclesiais, dando testemunho da terna misericórdia do Senhorâ€. O Papa lembra que, em muitos países, ainda não existe uma legislação a este respeito e que noutros falta ainda uma política bem definida sobre a saúde mental. “Desta forma, há que sublinhar que o prolongamento de conflitos armados em várias regiões da terra, as terríveis catástrofes naturais, a expansão do terrorismo, além de causar um número impressionante de mortos, geraram em muitos sobreviventes traumas psíquicos, dos quais dificilmente conseguem recuperarâ€, aponta. Seguindo uma das linhas de força do pontificado, Bento XVI fala na “influência negativa da crise dos valores moraisâ€, adiantando que a mesma pode estar na origem de novas formas de doença mental. “Isto aumenta o sentido de solidão, desgastando e mesmo desagregando as tradicionais formas de coesão social, começando pela instituição da família e marginalizando os doentes, especialmente os mentais, com frequência considerados um peso para a família e para a comunidadeâ€, lamenta a mensagem papal. O Papa destaca o esforço de quem, “inspirando-se em ideais e princípios humanos e evangélicosâ€, tudo faz para que não falte ajuda aos doentes mentais. A mensagem frisa, contudo, que em muitas partes do mundo os serviços a favor destas pessoas “são carentes, insuficientes ou em ruínaâ€. “O contexto social nem sempre aceita os doentes da mente com as suas limitações, e também por este motivo é difícil conseguir os necessários recursos humanos e financeirosâ€, afirma o Papa. Nesse sentido, considera que o próximo Dia Mundial do Doente “é uma circunstância oportuna para manifestar solidariedade às famílias que têm a seu cargo pessoas com doenças mentaisâ€. A mensagem sublinha ainda o papel dos capelães hospitalares e dos que se voluntariam para assistir os doentes nos centros médicos. “A Igreja, especialmente através da obra dos capelães, não deixará de oferecer a sua ajuda, já que está totalmente convencida de que é chamada a manifestar o amor e a solicitude de Cristo para com os que sofrem e os que se ocupam delesâ€, assegura. Já este ano, no Dia Mundial da Saúde Mental, o presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde (CPPS), Cardeal Javier Lozano Barragán, lamentava que, apesar de “o mal-estar mental constitui uma verdadeira emergência social e de saúdeâ€, 25% dos países carecem de uma legislação nesta matéria. 41% não têm sequer uma política definida para a saúde mental e em mais de 25% dos centros de saúde os doentes não têm acesso a fármacos psiquiátricos essenciais. 70% da população mundial conta com menos de um psiquiatra por cada 100 mil pessoas.


Bento XVI