João Paulo II considera como uma prioridade para a comunidade internacional a solução dos conflitos que têm lugar no Iraque e na Terra Santa, locais duramente afectados pelo terrorismo.
“Seja no Iraque, onde o regresso à paz civil parece tão difícil de se instaurar, seja na Terra Santa, tristemente desfigurada por um conflito sem fim que se alimenta de ódio e de desejos de vingança recíprocos, seja noutros países martirizados pelo terrorismo que golpeia tão cruelmente os inocentes, a violência revela por toda parte seu horror e mostra-se incapaz de resolver os conflitos”, assegurou o Papa.
Recebendo a nova embaixadora do Egipto no Vaticano, João Paulo II vincou que “nestes tempos convulsivos, só poderá haver um apaziguamento duradouro nas relações internacionais se a vontade de diálogo prevalecer sobre a lógica do confronto”.
O chefe da Igreja Católica lançou um apelo aos responsáveis pela comunidade internacional para que optem pelo “retorno à razão e à negociação, percorrendo a única saída possível aos conflitos entre os homens, pois todos os povos têm o direito de viver na serenidade e na paz”.
O discurso papal dirigiu-se, depois, de forma mais específica ao governo egípcio, ao qual foi exigido que “respeite os direitos fundamentais dos cristãos”.
“Sei que posso contar com a vigilância das autoridades egípcias para assegurar em particular a todos os cidadãos o princípio de liberdade de culto e de religião, que é uma forma eminente da liberdade das pessoas e que forma, portanto, parte dos direitos humanos fundamentais”, afirmou João Paulo II.
Religiões pela paz
Numa das suas intervenções mais marcantes deste ano, o Papa afirmou que as religiões têm de desempenhar um papel importante na construção da paz. “As religiões estão chamadas a denunciar e rejeitar todo e qualquer recurso à violência como contrária à sua própria finalidade, que é precisamente a de reconciliar os homens entre eles e com Deus”, disse.
“Todas têm uma palavra sobre o homem, que afecta os seus direitos diante o Criador, diante dele próprio e diante dos seus semelhantes; difundem um ensinamento que honra a vida como dom sagrado de Deus, que o homem deve respeitar e amar”, acrescentou.
Nesse sentido, João Paulo II pediu a todos os representantes religiosos que combatam e rejeitem “qualquer visão sectária” e que desenvolvam e favoreçam tudo aquilo que permite “uma compreensão mais profunda e o respeito do outro”.