O Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, revelou em entrevista concedida à agência italiana APCOM que o processo de beatificação do Papa Pio XII “decorre sem nenhum problema”.
O Cardeal português assinalou durante a entrevista que em Março de 2005 será realizada a primeira reunião com a comissão de historiadores encarregada de examinar o material recolhido nos anos de preparação da causa. Depois da revisão dos historiadores terá lugar a dos teólogos e, posteriormente a comissão cardinalícia.
“A causa do Papa Pio XII segue adiante sem problemas e nunca sofreu uma paragem, apesar das polémicas destes dias”, disse.
“Como se sabe, tratavam-se de polémicas jornalísticas que não tinham nada a ver com o trabalho central de investigação, com a seriedade dos estudos históricos, com a complexidade do período em questão”, acrescentou.
Por outro lado, o Pe. Peter Gumpel, um dos mais destacados peritos em Pio XII e promotor da sua causa, assinalou à imprensa italiana que “o processo de beatificação decorre normalmente e progride”.
A tramitação do processo de santidade de um católico morto com fama de santo passa por etapas bem distintas. Cinco anos após a sua morte, qualquer católico ou grupo de fiéis pode iniciar o processo, através de um postulador, constituído mediante mandato de procuração e aprovado pelo bispo local.
Juntam-se os testemunhos e pede-se a permissão à Santa Sé. Quando se consegue esta permissão, procede-se ao exame detalhado dos relatos das testemunhas, a fim de apurar de que forma a pessoa em questão exercitou a heroicidade das virtudes cristãs.
Aos bispos diocesanos compete o direito de investigar acerca da vida, virtudes ou martírio e fama de santidade ou de martírio, milagres aduzidos, e ainda, se for o caso, do culto antigo do Servo de Deus, cuja canonização se pede.
Este levantamento de informações é enviado à Santa Sé. Se o exame dos documentos é positivo, o “servo de Deus” é proclamado “venerável”.
A segunda etapa do processo consiste no exame dos milagres atribuídos à intercessão do “venerável”. Se um deste milagres é considerado autêntico, o “venerável” é considerado “beato”. Quando após a beatificação se verifica um outro milagre devidamente reconhecido, como poderá ser o caso dos Pastorinhos, então o beato é proclamado “santo”.