Comunidade ecuménica de Taizé envia mensagem aos responsáveis da União Europeia, antes do encontro anual em Bruxelas
A Comunidade ecuménica de Taizé (França) acaba de publicar uma mensagem intitulada “Por uma Europa aberta e solidária”, na qual se dirige aos responsáveis da UE pedindo que não se ceda ao desalento no processo de construção europeia.
O documento antecede o encontro de Bruxelas, próxima etapa da «Peregrinação de Confiança através da Terra» promovida pelos monges de Taizé há trinta anos e que reunirá 40 mil jovens de toda a Europa na capital belga (incluindo várias centenas de portugueses), de 29 de Dezembro de 2008 a 2 de Janeiro de 2009.
Para a comunidade, este é um momento simbólico para “revigorar a intuição e o entusiasmo do início da construção europeia: concretizar a reconciliação entre os povos, pondo em comum os seus recursos e as suas especificidades”.
A mensagem reconhece que a Europa conseguiu abrir “um período de paz sem precedentes na sua história”, que “desperta uma enorme esperança noutras regiões do mundo”.
Neste contexto chega o convite para “não ceder ao desalento”, apesar de se admitir que “as instituições europeias são por vezes vistas hoje com incompreensão e com um certo desalento”.
“Contudo, elas são indispensáveis para assegurar uma continuidade na construção da paz no continente”, defende a comunidade ecuménica, alertando que as mesmas “não se devem substituir a uma assunção de responsabilidades por cada camada da sociedade europeia”.
Por seu lado, lê-se ainda, “os responsáveis nacionais podem apoiar um novo impulso renunciando a designar injustamente, na hora das decisões difíceis, as instituições europeias como o «bode expiatório»”.
Na mensagem sublinha-se que “a construção da Europa apenas encontra o seu sentido integral se se mostrar solidária com os outros continentes e com os povos mais pobres” e que “a situação actual exige um novo esforço de compreensão para adaptar as instituições e os mecanismos europeus de auxílio”.
“Muitos jovens pedem que à globalização da economia se associe uma mundialização da solidariedade. Será que o objectivo de uma prosperidade partilhada não apela os países ricos a manifestar mais generosidade, simultaneamente através de investimentos a favor dos países em vias de desenvolvimento e de um acolhimento digno e responsável proporcionado aos imigrantes vindos destes países?”, questiona o texto.
O documento fala numa crescente “consciência europeia” nas gerações mais novas, que “não implica abandonar as especificidades de cada povo ou de cada região, mas sim realizar uma partilha de dons no respeito da diversidade”.
Nesse sentido, são propostas iniciativas como um serviço cívico europeu, para “aprofundar um conhecimento mútuo entre povos e regiões”.
Crise financeira
Segundo a comunidade de Taizé, “a crise financeira actual mostra que, sem seguir normas éticas, a economia não se pode desenvolver sustentavelmente”.
“Esta crise pode tornar-se numa oportunidade se nos levar a procurar as prioridades na construção da sociedade mundial: que tipo de desenvolvimento procuramos? Que tipo de desenvolvimento é possível, respeitando os recursos limitados do nosso planeta?”, pergunta a mensagem.
O documento manifesta a convicção de que “quanto mais complexo se torna o sistema económico e financeiro mundial mais se impõe a necessidade de uma coordenação e de uma regulação, com vista ao bem comum de toda a família humana”.
“Instâncias supranacionais, que determinem regras assegurando mais justiça, são agora indispensáveis”, refere-se.
Em conclusão, a mensagem retoma uma ideia do actual prior da Comunidade, o irmão Alois, para quem “todos podem participar numa civilização marcada não pela desconfiança mas pela confiança. Na história, por vezes bastaram algumas pessoas para fazer inclinar a balança no sentido da paz”.
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