Bento XVI defendeu esta Quinta-feira no Vaticano que a liberdade religiosa exige também a possibilidade de conversão a outra confissão. O Papa discursava perante o novo Embaixador do Bahrein na Santa Sé.
“A liberdade religiosa, que permite a cada um viver a sua fé só ou com os outros, em privado ou em público, exige também a possibilidade de uma pessoa mudar de religião se a sua consciência lho pede”, apontou.
Louvando a atitude de respeito religioso adoptado por esta pequena monarquia árabe muçulmana da região do Golfo, Bento XVI observou que o direito à liberdade religiosa toca o que “de mais profundo e sagrado existe no homem: a sua relação com Deus”.
Recorde-se que em diversos países muçulmanos, a começar pela Arábia Saudita, os cristãos continuam a ser proibidos de rezar em público e de manifestar a própria fé, sendo por outro lado a conversão (de todo e qualquer cidadão muçulmano) considerada uma apostasia, um “crime” punido com a pena de morte.
O Papa recebeu hoje outros diplomatas de países de maioria islâmica, para além do Bahrein, com quem falou da promoção da paz, da necessidade do diálogo entre culturas e do compromisso em favor de um crescimento económico sustentável e solidário.
No encontro com a embaixadora da Tunísia, Bento XVI destacou que o diálogo entre culturas e religiões é essencial para que seja “promovida a paz, o respeito pela pessoa e os seus direitos fundamentais”, destacando ainda a importância da liberdade religiosa e de consciência.
O papel do diálogo entre fé e culturas voltou ao discurso do Papa na recepção ao novo embaixador do Cazaquistão, país que Bento XVI definiu como de encontro e de diálogo, dada a sua proximidade com a Rússia, a Europa, a China e vários países de maioria islâmica. Nesse contexto, disse que a nação pode ser uma espécie de laboratório para “uma coabitação respeitadora da diversidade cultural e religiosa”.
O Papa defendeu que os Estados não devem “interferir” no espaço religioso nem utilizar as religiões “de modo abusivo”.
À nova embaixadora da Serra Leoa, Bento XVI destacou a capacidade de recuperação deste país após anos de guerra e violência como um “sinal de esperança para África e o mundo”.