Vaticano

Presidente da Caritas pede ao G8 medidas contra pobreza

Octávio Carmo
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Confederação internacional de organizações católicas espera acções concretas dos países mais desenvolvidos

O presidente da Confederação Internacional da Caritas, Cardeal Rodríguez Maradiaga, afirmou que seria “um escândalo†se os países mais ricos abdicassem de apoiar as nações mais pobres através de ajudas para o desenvolvimento. O alerta da Caritas Internationalis surge por ocasião da próximo cimeira do G8 (o grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia), que acontece de 7 a 9 de Julho em Hokkaido, Japão. Na mensagem que dirige ao G8, a Caritas pede que cumpram as suas promessas passadas, a fim de assegurar a prossecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). No caso da comunidade internacional, a ajuda total diminuiu 8,4% em 2007 em relação a 2006, após uma redução de 5,1%, entre 2005 e 2006. Numa declaração conjunta da Cáritas e da CIDSE (a Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e a Solidariedade), assinada pelo Cardeal Rodríguez Maradiaga, lamenta-se que seja necessário “escrever novamente em 2008 para recordar aos governos doadores as promessas não cumpridasâ€. “Agora existe um perigo real de que os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio sejam recordados só como palavras vazias. Isso alimentará o cinismo com o qual tanta gente dos países em desenvolvimento escuta as manifestações de preocupação dos países mais ricosâ€, pode ler-se. O Cardeal hondurenho frisa que “sete anos e meio depois da Declaração do Milénio, estamos a meio caminho para chegar a 2015 e é evidente que muitos países fracassarão, porque não alcançarão os objectivosâ€. “Nalguns casos, no andamento actual de progressos, poderão ter de esperar mais de 100 anos antes de alcançar as metas pré-fixadas. Para os estados membros do G8, o desafio de recuperar velocidade nos seus objectivos de 2015 é enormeâ€, refere a mensagem. Em relação às alterações climáticas, D. Rodríguez Maradiaga lembra que “os pobres dos países em desenvolvimento são quem mais sente as piores consequências da mudança climática – e são os menos responsáveis pelas emissões que a provocaramâ€. “Exortamos os governos para que garantam que os recursos colocados à disposição para ajudar os países em desenvolvimento a adaptarem-se às mudanças climáticas sejam somados aos recursos para o desenvolvimento e a redução da pobrezaâ€, indica. Os membros da Caritas em todo o mundo estão a angariar apoios, através de uma campanha via email, para o envio de postais de protesto ao governo do Japão. A Caritas Internationalis é uma confederação de assistência, desenvolvimento e serviço social presente em mais de 200 países e territórios, incluindo Portugal. Mais informações em www.caritas.org


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