O Governo sudanês anunciou novas medidas para resolver a crise humanitária no Darfur, no oeste do Sudão, depois do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, de visita à região, ter criticado a passividade das autoridades de Cartum.
"Faremos tudo para melhorar a segurança no Darfur", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros sudanês, Mustafa Osman Ismail, na presença do seu homólogo norte-americano.
Desde Fevereiro de 2003, a região do Darfur é cenário de um violento confronto entre dois grupos rebeldes - o «Movimento para a Justiça e a Igualdade» (JEM) e o «Exército-Movimento de libertação do Sudão» (SLA-M) - e o exército regular sudanês.
O SLA-M e o JEM ergueram as armas contra Cartum, acusada de abandonar Darfur porque sua população é maioritariamente negra e de financiar as milícias «Janjaweed» -- salteadores árabes activos na região ocidental do Sudão -, que há anos semeiam morte e destruição especialmente nas comunidades africanas de Arana, Marsalit e Fura. Esta violência originou mais de 20.000 mortos, um milhão de deslocados internos e outras 160.000 pessoas fugiram para o Chade.
A crise levou a que as organizações cristãs de assistência e solidariedade “Action by Churches together International” (ACT) e “Caritas Internationalis” unissem forças numa resposta ecuménica conjunta à actual emergência humanitária na província sudanesa, lançando um pedido urgente de 18 milhões de dólares americanos para auxiliar a população do Darfur. A missão conjunta denomina-se “Resposta de Emergência Darfur ACT/Caritas” (ACDER).
A situação em Dafur, é cada vez mais crítica para cerca de 1 milhão de deslocados, expulsos das suas terras por milícias árabes contratadas pelo governo sudanês, em luta contra os movimentos rebeldes que exigem a autonomia da região.
As previsões internacionais indicam que cerca de 350.000 pessoas vão morrer nos próximos três meses mesmo que a ajuda humanitária comece a chegar neste momento. Sem ela, poderão perder a vida cerca de um milhão de pessoas. O aumento do número de refugiados e deslocados sudaneses está mesmo a causar alarme junto das organizações humanitárias que trabalham no local.
A estação das chuvas tornará ainda mais difícil a distribuição de alimento e a assistência em geral. Em particular, existe o risco da difusão de epidemias de malária, sarampo e cólera.
A ACDER pretende lançar um programa de 18 meses, o tempo estimado para que todos os deslocados internos e refugiados regressem aos seus lares e possam retomar as suas vidas. A missão conjunta já fretou um avião com alimentos, material de ajuda urgente e veículos à região. Está igualmente a trabalhar para proporcionar alojamento, água potável e assistência sanitária e educação aos que vivem nos campos de refugiados.