Vaticano

Primeira intervenção de um patriarca ortodoxo na catedral de Istambul

Octávio Carmo
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O patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, elogiou na catedral de Istambul a figura de João Paulo II, reconhecendo que o seu testemunho permite ao mundo crer que é possível alcançar a paz. Esta intervenção decorreu no congresso promovido pela Conferência Episcopal turca e a Nunciatura Apostólica na Turquia a 17 de Junho para celebrar o 25º aniversário do pontificado de João Paulo II. Segundo o porta-voz da Conferência Episcopal turca, Georges Marovitch, «a presença de Bartolomeu I no encontro representou um importante gesto ecuménico. Foi, também, a primeira vez que um patriarca falou na catedral de Istambul». Falando sobre o tema «João Paulo II e o serviço à paz», Bartolomeu I recordou que «a acção do Papa está marcada por uma apaixonada busca da paz e isto procede de sua fé nas palavras de Jesus. Com maior razão agora que o mundo conhece a guerra e o terrorismo». «A sua estatura de líder moral e religioso – constatou -, não só para os católicos, mas para todos os homens e mulheres de boa vontade, tem a sua origem em uma profunda fé pessoal e na convicção de que esta tarefa deve ser vivida de maneira que os demais vejam a verdade, entendam a justiça e encontrem a paz». Bartolomeu I, considerado como «primus inter pares» da ortodoxia, destacou que a unidade dos cristãos alentará a paz. Ortodoxos e católicos encontram-se divididos desde o Cisma do Oriente em Julho de 1054, data em que trocaram excomunhões o Papa Leão IX e o patriarca de Constantinopla Miguel Cerulario. As excomunhões foram levantadas em 1965, mas ortodoxos e católicos não encontraram ainda a unidade plena. Não obstante, tanto João Paulo II como Bartolomeu I manifestaram a sua esperança por uma reunificação.


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