Comentando as dramáticas mortes de centenas de pessoas, muitas das quais procedem do norte da África e tentam desembarcar na Itália, o arcebispo de Lecce (Itália), Cosmo Francesco Ruppi, constatou que o fenómeno da imigração é infindável e exige enfrentá-lo conjugando acolhimento e legalidade.
Num artigo publicado hoje em «L’Osservatore Romano», o arcebispo italiano, comprometido há vários anos em oferecer uma resposta à emergência que afectou por longo tempo a costa da região de Puglia e que agora se deslocou para a siciliana, destacou a necessidade de um compromisso comum e uniforme para a solução de um problema que afecta pessoas extremamente pobres e que «merecem ao menos o respeito que se deve a todos os seres humanos».
Segundo o seu artigo, não basta simplesmente uma lei para deter quem organiza o contrabando de pessoas e os imigrantes, mas que faz falta sobretudo levar desenvolvimento aos lugares dos quais partem estas multidões de pobres, os quais não o fazem pelo gosto de se exilar, mas somente porque se vêem impulsionados pela miséria e o desespero.
«Defender a costa é um dever --acrescenta o arcebispo-- e tratar com os estados ribeirinhos dos foragidos é necessário, como é urgente conseguir uma política comunitária sobre a imigração, como foi destacado recentemente em Salónica».
Os cristãos estão chamados, por sua parte, a ver no refugiado antes de tudo um homem, com tudo o que se deriva enquanto a dignidade e exigências, mas também ver um irmão, segundo o autêntico espírito evangélico.
«A Igreja - conclui Dom Ruppi -, continuará a fazer do acolhimento a bandeira preferida, a sua razão de ser, apesar dos canhões verbais que com frequência lhe disparam».