Vaticano

Roma: Papa visitou residência universitária para estudantes desfavorecidos

Agência Ecclesia
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«A sagacidade do Evangelho está em sujar as mãos pelo próximo», frisou Francisco

Cidade do Vaticano, 18 jun 2016 (Ecclesia) – O Papa visitou hoje a residência universitária ‘Villa Nazareth’, um projeto que acolhe gratuitamente jovens que sem este apoio não conseguiriam concluir os seus estudos.

Durante a sua passagem por aquela casa, Francisco emocionou-se com a história da obra fundada a 18 de junho de 1946 pelo cardeal Domenico Tardini, secretário de Estado do então Papa João XXIII, na sequência das consequências humanas e sociais da Segunda Guerra Mundial.

Para o Papa argentino, o papel desta instituição define bem a noção de “próximo”, de “compaixão”, de “acolhimento” aos mais desprotegidos, carenciados, preconizada pela doutrina católica.

Recordando a passagem do Bom Samaritano, Francisco frisou que “o testemunho cristão é assim, só é efetivo através das obras, de atos concretos”.

“Esta casa da Villa Nazareth é uma obra onde se privilegia esse testemunho, aqui trabalha-se não para sobressair ou para passar o tempo mas para seguir o caminho de Jesus. Que esta obra continue a ser uma casa de testemunho”, exortou.

O episódio bíblico do Bom Samaritano conta a história de um homem hebreu que fica como morto à beira do caminho, depois de ser atacado e roubado por salteadores.

Por ele passam um sacerdote hebreu e um doutor da lei, tmbém hebreu, mas o único que pára e o ajuda é o dono de um albergue, samaritano, um estrangeiro.

“Que o Senhor nos livre dos salteadores, e há tantos… Que ele nos livre dos sacerdotes do frete ou que encaram tudo como um frete, sempre; nos livre de doutores que apresentam a lei de Cristo com rigidez matemática, e nos mostre que a sagacidade do Evangelho está em sujar as mãos pelo próximo”, complementou.  

Depois de uma celebração eucarística com alunos da instituição, o Papa teve oportunidade de conhecer melhor a história da “Villa Nazareth” e de encontrar-se no exterior com muitos alunos da instituição e respetivos familiares.

Ali retomou a importância de “um testemunho cristão que não estanque”, que não se esgote, sobretudo num mundo marcado pelo "individualismo que é causa de injustiças gravíssimas".

Uma sociedade que tenta a seguir outras causas, o poder, a violência, o dinheiro, a fama, a “mundanidade”, uma "cultura do hedonismo" que não conhece a "gratuidade", que "é a linguagem de Deus".

“Tantas vezes eu próprio passo por uma crise de fé, e por vezes questiono Jesus ‘mas porque é que permites isto? E isto acontece com os jovens, com os seminaristas, com os padres, com os bispos e com o Papa. Um cristão que não entra em crise falta-lhe sempre qualquer coisa (…) a crise é sempre um risco e uma oportunidade”, sustentou.

JCP



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