Vaticano

Santa Sé denuncia a violência contra as mulheres

Octávio Carmo
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João Paulo II denuncia as injustiças e violências que as mulheres sofrem e alenta a sua participação na vida e missão da Igreja na exortação apostólica «Igreja na Europa». «A Igreja não deixa de levantar sua voz para denunciar as injustiças e violências cometidas contra as mulheres, em qualquer lugar e circunstância que ocorram», afirma o Papa, recolhendo uma das propostas apresentadas pelos bispos que participaram no segundo sínodo para Europa. O Papa pede, no número 43 do texto, «que se apliquem efectivamente as leis que protegem a mulher e que se estabeleça medidas eficazes contra o emprego humilhante de imagens femininas na propaganda comercial, assim como contra a praga da prostituição». Ao mesmo tempo, deseja que «o serviço prestado pela mãe, do mesmo modo que pelo pai, na vida doméstica, seja considerado como uma contribuição ao bem-comum, inclusive mediante formas de reconhecimento económico». O texto do Papa recorda que «as mulheres tiveram sempre um lugar relevante no testemunho do Evangelho» e recorda seu trabalho «com frequência no silêncio e com discrição, acolhendo e transmitindo o Dom de Deus, tanto mediante a maternidade física e espiritual, a actividade educativa, a catequese e a realização de grandes obras de caridade, como pela vida de oração e contemplação, as experiências místicas e por escritos ricos de sabedoria evangélica». «Há aspectos da sociedade europeia contemporânea que são um desafio à capacidade que tem as mulheres de acolher, partilhar e gerar no amor, com prazer e gratuidade», afirma o texto. O Papa considera, também, que é necessário que «na Igreja se promova a dignidade da mulher, visto que a dignidade do homem e da mulher é idêntica, criados ambos à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 27), e cada um cumulado de dons próprios e particulares». «Como foi sublinhado no Sínodo, é desejável que, para favorecer a plena participação da mulher na vida e missão da Igreja, tenha-se em maior estima as suas próprias qualidades, também mediante a assunção de funções eclesiais reservadas pelo direito aos leigos», afirma João Paulo II.


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