O Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, defendeu hoje uma globalização “mais justa”, baseada “no desenvolvimento integral sustentável e na protecção ambiental”.
O respeitado membro da Cúria Romana considera indispensável que sejam criados “mercados produtivos e regras justas, com oportunidade de acesso para todos, mas no respeito pelos diferentes ritmos de desenvolvimento”.
Falando sobre os Objectivos do Milénio, o Cardeal Martino alertou para a necessidade de se desenvolverem “laços de solidariedade e parcerias mais estreitas”, “uma sistema mais eficaz nas Nações Unidas” e o aumento dos apoios públicos ao desenvolvimento, “para diminuir o número de pobres até 2015”.
O presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz apresentava o relatório intitulado “Uma globalização justa: criar oportunidades para todos”, do qual é co-autor.
“A globalização pode e deve ser mudada: o actual funcionamento da economia mundial sofre de desequilíbrios inaceitáveis do ponto de vista ético e politicamente insustentáveis”, escreve.
O Cardeal Renato Martino é muito crítico ao constatar que “para a maioria dos homens e das mulheres, a globalização não responde às legítimas aspirações de ter um trabalho digno e um futuro melhor para os seus filhos”.
Como caminho de futuro, o relatório aponta a promoção de um comércio “équo e solidário” para assegurar uma justa compensação a quem produz materialmente os bens.