A Santa Sé denunciou a lentidão demonstrada pelos Estados de todo o mundo em relação a qualquer acordo que vise “proibir ou limitar o uso de armas convencionais de efeitos indiscriminados”.
O arcebispo Silvano Tomasi, observador permanente da Santa Sé no Escritório das Nações Unidas e Instituições especializadas, em Genebra, contrapôs a essa lentidão a “rapidez com que a tecnologia faz com que estes artefactos sejam cada vez mais letais”.
“Os tratados multilaterais de controlo de armas ou de desarmamento continuam a ser lentos e longos, e chega-se aos resultados quase sempre baseados no mínimo denominador comum. Pelo contrário, a produção de novas armas convencionais acompanha as descobertas científicas e técnicas mais avançadas”, denunciou.
A intervenção do representante católico teve lugar na VII sessão do Grupo de especialistas governamentais relativa à “Convenção sobre a interdição ou limitação do uso de algumas armas convencionais que podem provocar efeitos traumáticos excessivos ou indiscriminados” (CCW), que se celebra em Genebra, de 8 a 12 de Março.
A Santa Sé quis deixar claro que, em vez de remediar os males provocados por armas utilizadas em guerras passadas, seria melhor prevenir a sua proliferação.
“As suas vítimas recordam-nos constantemente o exorbitante custo de qualquer guerra, em geral, e as consequências de optar pela utilização de algumas armas, em particular”, sublinhou o arcebispo Tomasi, para quem estas armas são cada vez mais devastadoras e provocam sofrimentos inúteis “durante períodos mais longos que os próprios conflitos”.
“As bombas de fragmentação, que estão a ser utilizadas cada vez mais em conflitos armados, ilustram tragicamente esta preocupante realidade”, acrescentou.
O arcebispo recordou, diante o grupo de especialistas, as iniciativas que a Santa Sé dedica às vítimas dos conflitos armados e os seus familiares em vários países de todo o mundo.
Assinalou, desta forma, “a frustração e o desalento de milhares de voluntários que se vêem obrigados a repetir uma e outra vez o trabalho que já realizaram e, em alguns casos, têm que ver os sofrimentos das vítimas sem que possa fazer nada”.
“A prevenção custa menos em termos de vidas humanas e de estragos socio-económicos”, concluiu.