Dia Mundial dos Leprosos celebra-se a 30 de Janeiro
A Santa Sé exige uma mobilização da comunidade internacional pela erradicação total da lepra, considerando que é preciso acabar com a “marca de infâmia” de que ainda padecem os leprosos em todo o mundo.
“Até que não se elimine a concepção de uma indelével marca de infâmia , a luta final por uma vitória contra a lepra ainda demorará muito”, assinala o presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde (CPPS), Cardeal Javier Lozano Barragán
Na mensagem do CPPS por ocasião do 52º Dia Mundial dos Leprosos, que se celebra no próximo Domingo, o Cardeal Barragán lembra que continua a ser preciso ter presente quem sofre desta doença. “Ainda que este Dia nos leve a celebrar o domínio do homem sobre a pandemia que aterrorizou a humanidade durante milénios, não podemos esquecer que a lepra ainda está presente e é dramaticamente letal em pelo menos nove países”, aponta.
O Cardeal Barragán condena ainda “a persistência de preconceitos ancestrais em relação aos leprosos, que ainda são motivo de vergonha ou submetidos a uma absurda discriminação”.
Em todo o mundo há um novo caso de lepra a cada minuto que passa. Os números da doença, em pleno século XXI, chegam aos 800 mil novos casos, em todos os anos, e aos actuais 10 milhões de leprosos. Segundo a Santa Sé, a falta de prevenção e de assistência médica justificam estes números tão elevados.
Neste sentido, a Igreja Católica defende um investimento em infra-estruturas sanitárias e equipas médicas especializadas, pedindo “ a solidariedade fraterna de toda a comunidade eclesial e dos que respeitam a vida e os direitos inalienáveis de todos os seres humanos”.
“A planificação da prevenção fez descer drasticamente a incidência da doença e levou à cura de treze milhões de pessoas”, indica o Cardeal Barragán.
A mensagem do CPPS convida os cristãos a reconhecer o trabalho de missionários e voluntários que “continuam a testemunhar, com fé inquebrantável, que no corpo de um irmão desfigurado pela doença de Hansen está presente Jesus Cristo”.
Segundo as últimas estatísticas disponíveis, a Igreja dirigia 656 leprosarias: 327 na Ásia, 254 em África, 69 na América, 4 na Europa e 2 na Oceania.
O Dia Mundial dos Leprosos, criado pela ONU em 1954, a pedido de Raoul Follereau, reconhece aos leprosos o direito ao tratamento e à integração na sociedade, dentro do quadro legal em que se move qualquer cidadão. Em Portugal a associação de solidariedade Mãos Unidas Pe. Damião e a Associação Portuguesa dos amigos de Raoul Follerau dedicam-se a esta causa.