A Europa não deve esquecer a tragédia desencadeada pelo totalitarismo nazista, mas deve guardar a memória dos acontecimentos para que não voltem a repetir-se. O alerta foi lançado pelo secretário da Congregação para a Educação Católica, D. Jean-Louis Bruguès, perante os ministros da Educação dos países europeus, durante o IV Seminário de Ministros dos países pertencentes à Convenção Cultural Europeia, que decorreu em Nuremberg e Dachau, na Alemanha.
Numa palestra intitulada «Ensinar a memória: para uma Europa da liberdade e do direito», o Bispo Bruguès recordou que Nuremberg foi “testemunha das grandes concentrações nazistas, mas também do processo posterior”. Estes acontecimentos recordam “o drama de uma época que negou a liberdade e a justiça, e a dignidado do homem foi esquecida”.
É necessário, explicou, “guardar memória destes factos, especialmente quando o tempo passa e vão desaparecendo as testemunhas oculares daquela tragédia, para que em nenhum lugar da Europa se repita uma tragédia semelhante”. O Bispo indicou que a lembrança do drama das vítimas e a honra de sua memória “exige que todos percebam que aquelas circunstâncias devem ser um convite à responsabilidade para construir o hoje e o amanhã de nosso continente”.
“O direito e a liberdade são essenciais para evitar novas tendências totalitárias que não respeitam o homem. O direito, contudo, deve fundar-se num alto sentido da dignidade e da justiça”.
“A salvaguarda da dignidade do homem não significa apenas não matá-lo, não torturá-lo ou não mutilá-lo. Significa também dar à fome e à sede de justiça que há nele a possibilidade de serem saciadas”, sublinhou.
O prelado apontou a necessidade de redobrar os esforços para lutar contra o racismo, a exclusão, a marginalização e a xenofobia, e advertiu que estes males “insinuam-se na sociedade e minam os fundamentos da convivência humana pacífica”.
D. Bruguès alertou para o risco de se cair novamente “na barbárie se não tivermos paixão pela justiça e a liberdade e se não nos empenharmos, cada um com sua própria capacidade, em fazer com que o mal não prevaleça sobre o bem”.
A Santa Sé elogiou o empenho dos países assinantes da convenção para “contribuir através da educação para a construção de uma Europa mais solidária e democrática, respeitosa da diversidade e consciente de sua identidade”.
Recordando palavras de Bento XVI em Auschwitz em Maio de 2006, o bispo afirmou que “o ensinamento da memória deve contribuir para aprender a amar juntos”.
REdacção/Zenit