A Santa Sé considera que o grande problema do período pós-guerra no Iraque, é o “retorno à normalidade” e, para isso, é necessário garantir a segurança e o funcionamento dos serviços públicos. O Secretário para as Relações com os Estados, arcebispo Jean-Louis Tauran, assegura que a Santa Sé não considera “um fracasso” o facto que, apesar de todos os esforços envidados pelo Papa e pela Cúria romana, não se tenha conseguido evitar a deflagração do conflito no Iraque.
D. Tauran acrescentou que é preciso voltar o olhar para o futuro e garantir que “a normalidade” volte a impor-se no Iraque. “Essa normalidade só se estabelecerá - precisou - quando estiver garantida a segurança, visto que continuam sendo registrados atentados e mortes, e que a administração do país é praticamente inexistente.”
O Arcebispo disse ainda que o novo Iraque deve ser um Estado pluralista e fiel à sua tradição laica, que respeite a liberdade religiosa e onde sejam respeitados os direitos humanos.
TERRA SANTA
Falando acerca da situação na Terra Santa, D. Jean-Louis Tauran disse que a Santa Sé apoia a presença de “uma força de paz, uma força amiga ou de interposição” naquela região, a fim de ajudar a colocar em marcha o actual plano de paz, considerado pelas autoridades vaticanas como “um passo avante” para se alcançar a paz naquela área do mundo.
Argumentando que não cabe à Santa Sé definir como seria essa força de interposição o arcebispo Tauran precisou que “quer se trate de uma força de paz, quer se trate de uma força de interposição ou qualquer outra coisa, o importante é que seja uma presença amiga, que ajude tanto uns quanto outros, a se olharem reciprocamente, face a face, e a sentar-se a uma mesa para dialogar”.
Fazendo uma avaliação do novo plano de paz para a região, chamado “Roteiro de paz”, o arcebispo disse que o vê como “um grande passo no caminho da paz”, e sublinhou que esse plano é um evidente exemplo de que, quando a comunidade internacional trabalha na mesma linha e em favor de um mesmo objectivo, se obtêm bons resultados.
D. Tauran expressou ainda, sua esperança na trégua proclamada por grupos palestinos, ainda que tenha convidado à prudência, recordando que, “infelizmente”, no Médio Oriente, “à tarde há paz, na manhã seguinte ocorre um atentado e na tarde seguinte volta-se à guerra”.