Mais de 2 milhões e 700 mil pessoas ainda correm risco de vida por causa da grave seca que atinge o Níger nos últimos tempos. O dado é apresentado num detalhado relatório da Caritas do Níger, que destaca que quase duas mil aldeias correm o risco de cair numa grave crise alimentar nos próximos meses.
O relatório, divulgado pela agência missionária Fides, destaca ainda que "o impacto da crise alimentar na área da saúde foi subestimado”. “A maior parte das intervenções humanitárias, de facto, concentrou-se no fornecimento de alimentos, escondendo os riscos sanitários ligados à subnutrição”, aponta a Cáritas.
As doenças causadas por esta situação são, entre outras, a malária (nos primeiros seis meses de 2005 houve 224.221 casos, com 327 óbitos), a cólera (em 31 de Agosto de 2005 foram registados 99 casos, dos quais 10 mortais), a meningite (1036 casos, com 115 óbitos) e o sarampo (1582 casos, com 10 óbitos).
A Igreja Católica está na linha de frente nas acções de apoio à população. A Cáritas do Níger projectou um plano de acção em vários pontos: o primeiro é a distribuição gratuita de alimento à população; o segundo é a operação “food for work” (comida por trabalho), que pretende fornecer um apoio nutricional aos camponeses comprometidos no cultivo dos terrenos, que se tornaram realmente produtivos depois do regresso das chuvas. Deste modo, reduz-se progressivamente a dependência das populações locais das ajudas externas e encorajam-se acções de solidariedade e de coesão social.
O terceiro ponto diz respeito ao apoio aos 760 centros nutricionais promovidos pelo governo, em colaboração com organizações humanitárias internacionais. No âmbito desses programas, já foram distribuídas mais de 700 toneladas de alimentos.