Vaticano

Turista não deve valer-se da pobreza do local que visita, diz João Paulo II

Octávio Carmo
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O Papa afirmou que o turismo é um instrumento eficaz para reduzir a pobreza e para promover o crescimento dos indivíduos e dos povos, e advertiu que não é moral que o turista se aproveite da necessidade das pessoas do local que visita. João Paulo II fez essa advertência na mensagem divulgada hoje, 26 de Junho, por ocasião da XXIV Jornada Mundial do Turismo 2003, a celebrar no próximo 27 de Setembro. A mensagem papal, que tem como lema "O turismo: elemento propulsor de luta contra a pobreza, para a criação de emprego e para a harmonia social", afirma que o drama da pobreza é um dos maiores desafios deste terceiro milénio e que o turismo pode ajudar a derrotá-la. "A actividade turística -continua- pode exercer um papel relevante na luta contra a pobreza, tanto do ponto de vista económico como social e cultural. Viajando conhecem-se lugares e situações diferentes e damo-nos conta de quão grande é o fosso entre países ricos e pobres. É possível valorizar melhor os recursos e as actividades locais, favorecendo um maior envolvimento das camadas pobres da população", escreveu o Papa. João Paulo II disse ainda que o turista dificilmente pode evitar entrar em contacto com realidades dolorosas de pobreza e fome e que, por isso, tem que resistir "à tentação de fechar-se em uma espécie de ilha feliz, como se a situação não o afectasse, e evitar aproveitar-se da sua posição de privilégio e tirar proveito das necessidades das pessoas do lugar". O Papa acrescentou que as viagens e visitas são uma ocasião para o diálogo entre as pessoas "em igualdade de dignidade, para conhecer outras culturas e para que se dê uma abertura sincera para entender o outro". Advertiu que o bem-estar de uns poucos não pode ser conseguido em detrimento da qualidade de vida de muitos outros e reiterou que os países desenvolvidos não se podem fechar em seus próprios interesses egoístas, "abandonando inumeráveis irmãos na miséria e permitindo que muitos deles vão para uma morte inexorável".


João Paulo II