Vaticano

Turquia convida Bento XVI para uma visita em 2006

Octávio Carmo
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O chefe de Estado turco, Ahmet Necdet Sezer, convidou o Papa Bento XVI para uma visita oficial à Turquia em 2006, anunciou hoje o ministério turco dos Negócios Estrangeiros. O comunicado oficial afirma que o país “segue de perto os esforços desenvolvidos pelo Papa Bento XVI para reforçar o diálogo e a tolerância entre as religiõesâ€. “Neste contexto, o presidente, a fim de contribuir para esses esforços que visam promover o diálogo entre civilizações, convidou o Papa para uma visita oficial em 2006â€, precisa o documento. Na semana passada, o Vaticano confirmara as negociações com o Governo de Ancara para uma visita de Bento XVI à Turquia, mas previa-se que a mesma acontecesse já no mês de Novembro. O convite para Bento XVI se deslocar à Turquia fora feito em Junho, pela Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I. O Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, declarou que “estão em curso negociações com o Governo de Ancaraâ€, explicando que para visitar um país, o Papa precisa também do convite das autoridades civis. Este responsável tinha reafirmado o desejo de Bento XVI em se deslocar à Turquia no dia da festa litúrgica mais importante para Patriarcado Ortodoxo, a 30 de Novembro - festa de Santo André. A visita, a acontecer, terá particular importância do ponto de vista ecuménico, uma das prioridades do Pontificado de Bento XVI. O Patriarca Bartolomeu I é considerado o “primus inter pares†e líder espiritual dos 200 milhões de cristãos ortodoxos, mas não é o “Papa†da Igreja Ortodoxa, dado que nela os bispos têm todos o mesmo lugar e o primado de Constantinopla é apenas de honra, não de jurisdição. O caminho para a comunhão entre Roma e Constantinopla foi cimentado no final do passado mês de Junho com novos gestos que vincam a vontade de Católicos e Ortodoxos em assumir o compromisso de caminhar rumo à unidade “na caridade e na verdadeâ€. A celebração de São Pedro e São Paulo (29 de Junho), as traves mestras da Igreja primitiva, foi a ocasião para que Bento XVI e o Patriarcado ecuménico de Constantinopla trocassem impressões sobre a possibilidade de reiniciar o diálogo teológico entre as duas Igrejas, após 12 anos de interrupção. Apesar de todos reconhecerem a importância deste diálogo, a sua verdadeira dimensão requer um olhar sobre a história: a separação das duas comunidades cristãs foi consumada em 1054 e só conheceu melhorias nas últimas quatro décadas. O problema fundamental é de carácter teológico, o primado de Pedro.


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