Vaticano

Ucrânia tem lugar na nova UE, diz o Papa

Octávio Carmo
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João Paulo II considerou hoje que a Ucrânia tem lugar na nova UE, defendendo a intenção da Ucrânia de tecer relações mais intensas com as outras nações do continente. “A Santa Sé- disse o Papa- considera que tais legitimas aspirações merecem ser consideradas com atenção porque são úteis ao projecto de colaboração europeia”. João Paulo II recebeu em audiência nesta sexta feira o novo embaixador da Ucrânia junto da Santa Sé para a apresentação das Cartas Credenciais. Na altura, recordou as profundas raízes cristãs do país, motivo pelo qual “é grande a responsabilidade da Ucrânia de compreender, defender e promover a própria herança cristã, traço característico da Nação que não foi tocada em profundidade nem mesmo durante a ditadura comunista”. O Papa escolheu esta ocasião para falar da situação religiosa do país onde nasceu e é mais vivo o contraste entre católicos de rito oriental (os chamados uniatas) e os ortodoxos e que está na origem da dissensão com o Patriarcado de Moscovo que alarga a sua competência também à Ucrânia. No seu discurso o Papa formulou votos que no âmbito das relações inter-religiosas com o Estado, sejam assinados acordos satisfatórios no mais delicado âmbito da restituição dos bens eclesiásticos confiscados durante a ditadura comunista e que é precisamente o problema que está na origem do conflito com Moscovo. “A Igreja católica na Ucrânia, desde a independência do País até hoje conheceu uma promissora primavera de esperança e em todos os seus componentes é animada pelo desejo de chegar á plena unidade com todos os cristãos”, referiu. Segundo o líder da Igreja Católica, a Ucrânia tem uma missão de encontro entre povos e culturas diferentes e pode tornar-se um laboratório de dialogo, desenvolvimento e cooperação com e para todos. “Por isso, as autoridades políticas e económicas, os homens de ciência e de cultura devem saber colocar de maneira desinteressada as próprias capacidades ao serviço do progresso autentico da pátria, reservando uma atenção especial aos pobres, aos jovens que procuram trabalho, às crianças, também àquelas que ainda não nasceram”, concluiu.


João Paulo II