Uma profissão com problemas éticos e deontológicos muito específicos merece um livro que ajude a responder aos mesmos. Foi assim que nasceu o livro “Uma ética para secretárias” do Pe. Rafael Hernández Urigüen, professor do Instituo Superior de Secretariado e Administração da Universidade de Navarra, publicado pela editorial Grafite.
Em entrevista à agência Zenit, o Pe. Urigüen explica que “as dificuldades no plano ético com que me deparei ao iniciar o meu trabalho começavam pela baixa remuneração do trabalho das secretárias, favoritismos injustificados (cunhas), falta de humildade, mobbing e assédio sexual”.
O livro defende a tese de que as virtudes éticas influem na qualidade pessoal e laboral das secretárias, melhorando a imagem das empresas, porque elas são as protagonistas da atenção aos clientes. “Na era da informação é necessário, mais do que nunca, poder confiar nestas pessoas, contando com a sua veracidade e transparência solidária”, assegura o Pe. Urigüen.
Os casos de assédio sexual ocupam uma parte considerável do livro, abordando também a imagem “mítica” das secretárias que ameaçam o casamento dos seus chefes.
“O livro expõe o valor antropológico que oferecem o pudor e a serenidade nos encontros homem-mulher, para se evitarem situações indesejáveis e as suas consequências lamentáveis. Além disso, faz-se uma recolha de toda a legislação que possa facilitar a defesa das vítimas”, avança o autor.
A conclusão da entrevista é uma homenagem à intuição feminina e à capacidade de muitas secretárias em manter a calma perante situações mais desagradáveis.
“Muitas secretárias conseguem pensar mais na imagem da empresa do que no seu próprio estado anímico e procuram agir com delicadeza. É uma forma de evangelização que inclui o gesto, a palavra e o exemplo de serenidade e alegria”, conclui o Pe. Urigüen.