Vaticano admite regresso de tradicionalistas Octávio Carmo 28 de Março de 2008, às 17:56 ... Cardeal Castrillón Hoyos fala do impacto do Motu Proprio de Bento XVI sobre a liturgia pré-concliar O homem forte do Vaticano para o diálogo com os lefebvrianos, Cardeal DarÃo Castrillón Hoyos, revelou que muitos cristãos que se tinham afastado da Igreja por causa das reformas litúrgicas do ConcÃlio Vaticano II “estão a regressar à plena comunhão com Roma†após o Motu Proprio de Bento XVI sobre a liturgia pré-concliar. O presidente da Comissão PontifÃcia Ecclesia Dei explicou ao Osservatore Romano que a Summorum Pontificum, ao abrir a possibilidade de celebrar segundo o “rito antigo†levou a que muitos cristãos pedissem o regresso a Roma. A este respeito, o Cardeal colombiano lembra que o Papa apenas procedeu a mudanças na “forma extraordinária†da celebração eucarÃstica, seguindo o Missal Romano de 1062, modificado no pontificado de João XXIII. “Não se trata de dois ritos diferentes, mas de um uso duplo do único rito romano. É a forma celebrativa que foi usada durante mais de 1400 anos, que inspirou as missas de Palestrina, Mozart, Bach e Beethoven, grandes catedrais e maravilhosas obras de pintura e esculturaâ€, aponta. D. Castrillón Hoyos diz que, após a decisão do Papa, um mosteiro de clausura com 30 religiosas espanholas foi já reconhecido e regularizado pela sua Comissão PontifÃcia, falando ainda de grupos americanos, alemães e franceses “em vias de regularizaçãoâ€. O Rito de São Pio V, que a Igreja Católica usava até à reforma litúrgica de 1970 (com algumas modificações, a últimas das quais datada de 23 de Junho de 1962) foi substituÃdo pela Liturgia do "Novus Ordo" (Novo Ordinário) aprovada como resultado da reforma litúrgica do ConcÃlio Vaticano II. Com o Motu Próprio de 2007, Bento XVI estendeu a toda a Igreja de Rito Latino a possibilidade de celebrar a Missa e os Sacramentos segundo livros litúrgicos promulgados antes do ConcÃlio. Esta aprovação universal significa que a Missa do antigo Rito poderá ser celebrada livremente em todo mundo, pelos sacerdotes que assim o desejarem, sem necessidade de autorização hierárquica (licença ou indulto) de um Bispo. Os livros litúrgicos redigidos e promulgados após o ConcÃlio continuam, contudo, a constituir a forma ordinária e habitual do Rito Romano. Para o presidente da Comissão Ecclesia Dei não é possÃvel falar num “regresso ao passadoâ€, mas num progresso, “porque agora temos duas riquezas, em vez de uma sóâ€. O Cardeal Castrillón Hoyos adianta que a Comissão PontifÃcia está a pensar “organizar uma forma de ajuda aos seminários, à s dioceses e à s conferências episcopais†para uma melhor aplicação da Summorum Pontificum, admitindo ainda “promover subsÃdios multimédia para o conhecimento e a aprendizagem da forma extraordinária, com toda a riqueza teológica, espiritual e artÃstica ligada à antiga liturgiaâ€, envolvendo os grupos de sacerdotes que já usam esta forma. A questão Lefebvre Questionado em relação ao regresso à “plena comunhão†de pessoas excomungadas, o Cardeal colombiano fez questão de sublinhar que a questão com a Fraternidade São Pio X, fundada por Marcel Lefebvre, não se coloca nesses termos. “A excomunhão diz respeito apenas a quatro Bispos, porque foram ordenados sem mandato do Papa e conta a sua vontade, mas os sacerdotes estão apenas suspensos. A Missa que celebram é válida, sem dúvida, mas não lÃcita e, por isso, não é aconselhada a participação dos fiéis, a menos que não haja outra possibilidade num Domingoâ€, refere. O Bispo Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade, e outros três Bispos foram excomungados a 2 de Julho de 1988, por terem sido ordenados “ilegitimamente†no seio da Fraternidade, por parte do Arcebispo Lefebvre. A carta apostólica “Ecclesia Deiâ€, de João Paulo II, constatou que esta ordenação de Bispos (a 30 de Junho de 1988) constituiu “um acto cismáticoâ€. Fellay foi recebido por Bento XVI no dia 29 de Agosto de 2005, num encontro marcado pelo “desejo de chegar à perfeita comunhãoâ€. “Nem os sacerdotes nem os fiéis†da Fraternidade, explica D. Castrillón Hoyos, “estão excomungadosâ€. A Comissão Ecclesia Dei tem como objectivo “facilitar a plena comunhão eclesial†dos fiéis ligados à Fraternidade fundada por Monsenhor Lefebvre, “conservando as suas tradições espirituais e litúrgicasâ€, em especial o uso do Missal Romano segundo a edição tÃpica de 1962. O Cardeal colombiano desvaloriza, a este respeito, as divergências existentes a respeito do ConcÃlio Vaticano II, lembrando que tanto Bernard Fellay como os outros Bispos da Fraternidade São Pio X “reconheceram expressamente o Vaticano II como ConcÃlio Ecuménicoâ€. “Também não se pode esquecer que Mons. Marcel Lefebvre assinou todos os documentos do ConcÃlio. Penso que a sua crÃtica ao ConcÃlio tenha mais a ver com a falta de clareza de alguns textos, que abriu caminho a interpretações que não estão de acordo com a doutrina tradicionalâ€, afirma. Segundo o Cardeal DarÃo Castrillón Hoyos, as maiores dificuldades “são de carácter interpretativo ou têm a ver com alguns gestos ecuménicos, mas não com a doutrina do Vaticano IIâ€. Santa Sé Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...