Vaticano

Vaticano apela à calma na polémica das caricaturas de Maomé

Octávio Carmo
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Direito à liberdade de expressão não autoriza ofensas ao sentimento religioso

O Vaticano emitiu um comunicado oficial, após a recente polémica surgida com a publicação das caricaturas de Maomé na imprensa europeia, apresentando a sua posição perante “as recentes representações ofensivas dos sentimentos religiosos de pessoas ou de comunidades”. Para a Igreja Católica, não se pode invocar o direito à liberdade de expressão para ofender o sentimento religioso dos crentes. “O direito à liberdade de pensamento e de expressão, confirmado pela Declaração dos Direitos do Homem, não pode implicar o direito de ofender o sentimento religioso dos crentes. Tal princípio vale obviamente em relação a toda e qualquer religião”, refere a nota divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé. “A convivência humana exige um clima de respeito mútuo para favorecer a paz entre os homens e as Nações. Aliás, certas formas de crítica exasperada ou de zombaria dos outros denotam uma falta de sensibilidade humana e em alguns casos podem constituir uma provocação inadmissível. A leitura da história ensina que não é por esse caminho que se curam as feridas existentes na vida dos povos”, acrescenta. Em alusão à violência verificada em algumas manifestações de protesto, ao longo destes últimos dias, a Santa Sé observa que “as ofensas provocadas por uma pessoa ou por um órgão de imprensa não se podem imputar às instituições públicas do respectivo país, cujas autoridades poderão e deverão, eventualmente, intervir segundo os princípios da legislação nacional”. “São, portanto, igualmente deploráveis acções violentas de protesto”, sublinha o texto. Para o Vaticano, ao reagir a uma ofensa, “não se pode contrariar o autêntico espírito de cada religião”. “A intolerância real ou verbal, venha de onde vier, como acção ou reacção, constitui sempre uma séria ameaça à paz”, conclui a nota.


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