Vaticano

Vaticano apela à negociação entre Israel e a Palestina

Octávio Carmo
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O Vaticano espera que a comunidade internacional “mude a sua estratégia” para relançar o diálogo entre Israel e a Palestina, após a vitória eleitoral do movimento radical Hamas. Numa peça hoje publicada por “L’Osservatore Romano” fala-se, pela primeira vez, do resultado das legislativas palestinianas, pedindo “novos instrumentos de negociação”, que consigam fixar “objectivos razoáveis”. O texto, ao cuidado de Marcello Filotei, assinala que “a comunidade internacional não está preparada” para responder às questões levantadas pela vitória do Hamas, considerado “um movimento radical, que não reconhece o direito à existência de Israel, está inscrito na lista das organizações terroristas e não tem intenção de desarmar”. No artigo, fala-se do impasse gerado pela vitória do Hamas, destacando que “o roteiro da paz fixado pelo quarteto (EUA, UE, Rússia e ONU) parece cada vez mais difícil de relançar, dado que fixa como condição preliminar o fim da violência”. O “Osservatore Romano” frisa que “a comunidade internacional tentou convencer a Fatah a desarmar o Hamas, sem que isso tenha alguma vez acontecido”. Neste momento, a comunidade internacional vê-se, agora, confrontada com a necessidade de “pedir a um governo que desmantele a sua própria milícia, para poder sentar-se à mesa das negociações”. “A necessidade de criar novos instrumentos de negociação - os quais, tomando consciência das mudanças ocorridas, identifiquem objectivos razoáveis e os meios de os obter -, é, portanto, evidente”, conclui o artigo. O Hamas declarou hoje que está disponível para debater, com a comunidade internacional, tréguas com Israel.


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