Apesar de o Governo chinês não ter permitido a viagem de quatro Bispos do seu país ao Sínodo sobre a Eucaristia, que decorre no Vaticano, um novo sinal de aproximação entre as duas partes acaba de surgir. Mais um bispo da Igreja “oficial” da China foi ordenado, através de um acordo implícito entre o Vaticano e Pequim.
A agência de notícias do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras, AsiaNews, assegura que Paulo He Zeqing foi ordenado ontem Bispo auxiliar de Wanxian (Sichuan, no centro da China), com a aprovação da Santa Sé. A cerimónia decorreu na presença de 81 sacerdotes e mais de mil fiéis e foi o superior eclesiástico da diocese, D. José Xu Zhixuan, quem comunicou a notícia à assembleia.
D. He é o terceiro Bispo a ser ordenado este ano através do que parece ser uma prática concertada entre a China e a Santa Sé. O candidato foi designado pela Santa Sé e o governo avaliou a decisão.
Segundo informações fornecidas pela AsiaNews, esta prática não satisfaz a Associação Patriótica (AP) dos católicos chineses, ligada ao regime comunista, que a vê como uma ameaça ao seu poder de controlo sobre a Igreja “oficial”. Para a Associação, os Bispos devem ser eleitos representantes das dioceses e não necessitam de nenhuma aprovação do Papa.
Pequim admite a pratica da fé apenas no interior dos grupos religiosos autorizados pelo Governo e cujo pessoal e actividades sejam supervisionadas pelas associações patrióticas. A AP que construir uma Igreja nacional, independente do Vaticano, e tem-se empenhado numa campanha contra o clero que considera “demasiado obediente” ao Papa.
O Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, leu esta semana uma carta dos Bispos chineses convidados para o Sínodo, por Bento XVI, mas que não receberam autorização para viajar até ao Vaticano. A missiva, datada de 6 de Outubro, apresenta as desculpas dos prelados por não estarem presentes, deixando votos de que “as relações diplomáticas com a Santa Sé sejam restabelecidas quanto antes” por parte do governo chinês.
Os trabalhos do Sínodo ficaram marcados por uma intervenção do Bispo de Hong Kong, D. Joseph Zen Ze-Kiun, na qual o prelado sublinhou que as duas Igrejas Católicas na China estão “unidas na fé”, declarando que elas formam, de facto, “uma só Igreja”.
D. He confessou à AsiaNews que segue os trabalhos do Sínodo com atenção – “rezo por eles” - e que ficou desapontado pela impossibilidade de nele participarem os quatro prelados chineses.