Vaticano

Vaticano condena o uso do nome de Deus como justificação por parte dos terroristas

Octávio Carmo
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Representante na ONU apela ao desarmamento para fazer face ao «clima de medo» que tomou conta da humanidade

O Vaticano condenou de forma frontal os actos terroristas que são conotadas com uma ideologia e natureza religiosas, considerando-os “ataques blásfemos”. O observador permanente da Santa Sé junto da ONU, arcebispo Celestino Migliore, assegurou que para a Igreja Católica “o nome de Deus não pode ser utilizado para justificar qualquer forma de terrorismo e pede aos líderes religiosos que falem e ajam contra o terror”. O prelado tomou a palavra na 59ª assembleia geral das Nações Unidas para falar no I Comité sobre o tema “Desarmamento completo e geral”, pedindo aos Estados que providenciem formas de evitar o acesso ao armamento, “através de controlos de exportação e um aumento do controlo sobre os stocks”. “O mundo tomou consciência, de forma crescente, da ameaça colocada pela possibilidade de os terroristas adquirirem armas de destruição maciça, especialmente nucleares”, exemplificou. Para o representante do Papa, um clima de medo tomou conta da humanidade, que se prepara para lhe fazer frente recorrendo a mais armamento. As despesas militares em todo o mundo chegaram aos 956 mil milhões de dólares no último ano, ultrapassando os picos atingidos na Guerra Fria. “A crescente confiança no armamento – pesado ou ligeiro – está a afastar o mundo da segurança, não a aproximá-lo dela”, lamentou o Arcebispo Migliore. As preocupações apresentadas não se esgotaram, contudo, na proliferação das armas de destruição maciça ou na hipótese de estas irem parar às mãos dos terroristas. De acordo com a Santa Sé, a ONU deve olhar com atenção para “o alastramento das armas convencionais, especialmente nas situações de conflito e pós-conflito na África”. “Temos de apontar para os benefícios económicos das medidas de desarmamento. As alternativas de desenvolvimento ao militarismo devem ser uma constante do trabalho deste comité”, apontou o Observador da Santa Sé, para quem a gravidade da situação deve levar os Estados a assegurar tratados de não-proliferação. A intervenção do Arcebispo Migliore centrou-se ainda sobre a questão das minas anti-pessoais, que classificou como “dispositivos terríveis”. O prelado espera que, daqui a dois meses, a “Cimeira de Nairobi para um Mundo Livre de Minas” possa ajudar a erradicar esta ameaça.


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