Vaticano

Vaticano critica sinais de laicismo na Europa

Octávio Carmo
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João Paulo II mostrou-se hoje incomodado com os sinais crescentes do laicismo na Europa, latente em casos como o da nova lei sobre os símbolos religiosos na França ou a recusa do reconhecimento das raízes cristãs do continente na redacção do Tratado Constitucional da UE. “A laicidade é legítima, desde que não se transforme em laicismo; um diálogo saudável entre a Igreja e o Estado favorece o desenvolvimento integral da pessoa humana e a harmonia da sociedadeâ€, diz o discurso que o Papa escreveu para o corpo diplomático creditado junto da Santa Sé. Os reparos do líder da Igreja Católica vão contra as “atitudes de alguns países da Europa†que o Papa acusa de colocarem em perigo o respeito efectivo pela liberdade religiosa, na medida em que negam à religião a sua dimensão social. Na história contemporânea é frequente encontrar casos de confusão entre a legítima autonomia do Estado face às religiões e a redução da laicidade a um controlo da influência eclesiástica ou ao combate anti-religioso. “O princípio da laicidade é legítimo em si próprio, enquanto distinção entre a comunidade política e as religiões, mas a distinção não significa ignorânciaâ€, explicou hoje João Paulo II. Em relação ao debate sobre as raízes cristãs da Europa, o Papa criticou a atitude dos que “releram a história através de prismas ideológicos redutores, esquecendo o que o cristianismo trouxe para a cultura e as instituições do continenteâ€. A dignidade da pessoa humana, a liberdade, o sentido de universalidade, a escola, a universidade e as obras de solidariedade estão entre os elementos elencados por João Paulo II. O destaque nesta lista de contributos vai, contudo, para a acção dos cristãos “para a transformação pacífica de regimes autoritários, bem como a restauração da democracia na Europa central e ocidentalâ€.


João Paulo II