Século passado definido como o dos «mártires católicos orientais»
A Santa Sé apresentou hoje um livro sobre os mártires do século XX, com um especial acento nos sofrimentos dos católicos de rito bizantino sob os regimes comunistas.
As Igrejas em destaque são as da Ucrânia, Roménia, Eslováquia e República Checa, “ressurgidas depois de um tempo em que foram riscadas da história e que hoje se preocupam em não perder a memória das perseguições.
O novo documento, intitulado “Fé e Mártires”, foi apresentado pelo Cardeal Ignacce Moussa I Daoud, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, segundo o qual “no volume foram apresentadas as vivências de supressão das várias Igrejas Orientais católicas”.
Sublinhando que a publicação “não omite os responsáveis por tanto sofrimento”, o cardeal Daoud assegura que, da parte da Igreja Católica, não há rancor.
“Apesar das relações historicamente difíceis, durante o século dos mártires católicos orientais, as confissões religiosas souberam sofrer juntos nas prisões, nos gulag, nos campos de trabalhos forçados”, constata a obra.
O membro da Cúria Romana afirmou que se continuará a “recolher documentação e a reflectir sobre os testemunhos de fé das nossas Igrejas”.
Andrea Riccardi, historiador e fundador da Comunidade de Santo Egídio, explicou que “os católicos orientais são uma espécie que nenhuma política comunista admitiu em parte alguma do Império de Leste”.
“Estas páginas ilustram o projecto soviético que pretendia fazer desaparecer o catolicismo oriental”, acrescentou.
Riccardi lamentou ainda o uso e abuso do termo “mártir”, em especial quando utilizado em relação aos suicidas islâmicos. “O mártir cristão nunca morre para matar outra pessoa, mas para evitar outras mortes”, assegurou.
Testemunho desta definição foi Tertulian Ioan Langa, de 82 anos, que falou dos 16 anos que passou nas prisões da Roménia e recordou “a presença violenta e atroz do comunismo ateu”.
O bispo Pavlo Vasylyk, da eparquia (divisão eclesiástica das Igrejas Orientais equivalente às nossas dioceses) de Kolomyia-Chernivtsi, na Ucrânia, também desfiou o rosário das suas memórias. Foi preso repetidas vezes pelas autoridades soviéticas e foi no campo de concentração que se ordenou diácono, em 1956.
“As condições em que nos encontrávamos nestes campos eram piores do que nos campos de concentração alemães”, assegura.