O cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, exigiu hoje que as Nações Unidas aprovem uma convenção sobre o terrorismo, congelada há anos.
Durante um congresso consagrado aos direitos dos indivíduos, a decorrer em Roma, o antigo observador da Santa Sé junto da ONU sublinhou que “esta convenção, estudada por peritos das Nações Unidas, foi bloqueada por causa da impossibilidade de se chegar a um acordo sobre a definição de terrorismo”.
“Certos países queriam que o terrorismo fosse considerado como uma acção destinada a obter a independência e a liberdade nacional”, disse o cardeal.
Em função dos recentes e cada vez mais recorrentes episódios de violência terrorista, o prelado referiu que se afigura urgente “chegar a uma definição e a uma conclusão rápida, para que a comunidade internacional se possa comprometer, no seu conjunto, contra este fenómeno”.
O terrorismo foi classificado pelo cardeal Martino como uma “horrível doença da humanidade”. Ainda assim, retomou o pensamento de João Paulo II para vincar que “para eliminar a praga do terrorismo é preciso ir às suas origens e causas”.
O membro da Cúria Romana repetiu a convicção do Vaticano em relação a ser responsabilidade exclusiva do Conselho de Segurança da ONU “decidir quando uma intervenção militar é necessária contra um país em situação de injustiça evidente”.
Nesse sentido, o cardeal Martino insistiu na necessidade de que “a Organização das Nações Unidas seja reformada, para responder às exigências actuais”.
Esta intervenção vem na sequência da mensagem de João Paulo II para o Dia Mundial da Paz de 2004. No texto pode ler-se que a luta contra o terrorismo “deve traduzir-se também no plano político e pedagógico: por um lado, removendo as causas que estão na origem de situações de injustiça; por outro, insistindo numa educação inspirada pelo respeito da vida humana em todas as circunstâncias.”
Pedindo um novo “ordenamento internacional”, João Paulo II deixa na sua mensagem um apelo a todos os Estados para que promovam uma reforma, que torne a Organização das Nações Unidas capaz de funcionar eficazmente.
A “chaga do terrorismo” destacada na mensagem é uma ameaça que, segundo João Paulo II, “nestes últimos anos ficou mais virulenta, produzindo cruéis massacres que têm tornado cada vez mais hirto de obstáculos o caminho do diálogo e das negociações, exacerbando os ânimos e agravando os problemas”.