Vaticano

Vaticano recusa proposta de utilizar a catedral de Córdoba como mesquita

Octávio Carmo
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Polémica em torno da construção revela uma situação comum ao nosso país: os muçulmanos construíram mesquitas sobre igrejas abandonadas ou em ruínas; o mesmo foi realizado após a reconquista cristã no que se refere às mesquitas

O presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo inter-religioso, o arcebispo Fitzgerald, recusou uma proposta vinda de Espanha, onde se pretendia que a catedral de Córdoba fosse utilizada em conjunto com os fiéis muçulmanos. Segundo o membro da Cúria Romana, o Islamismo “deve aceitar a história, com a mesma atitude da Igreja, que não reclama ao Islão edifícios que foram seus no passado”. A verdade é que, ao longo dos séculos, muitas construções religiosas viram transformado o seu uso original. Em Portugal , a partir da invasão muçulmana de 711, e à semelhança do que os cristãos já tinham feito em relação aos templos pagãos, os muçulmanos construíram mesquitas sobre igrejas abandonadas ou em ruínas. Após a reconquista cristã, essas mesquitas deram origem a novas igrejas. Um testemunho importante desta alternância, é o caso de Mértola, primitiva mesquita almóada adaptada a igreja cristã, onde épocas, culturas e religiões deixaram traços hoje perfeitamente reconhecíveis. Prevendo que dificuldades semelhantes às de Córdoba possam surgir noutros pontos do mundo, o responsável do Vaticano pelas relações com outras religiões vinca que “o uso comum de um edifício por várias comunidades religiosas é problemático”, quando a edificação pertence a uma comunidade específica. Comentando as declarações dos partidos da esquerda espanhola, para quem o usos comum da catedral revelaria uma Igreja “aberta e dialogante”, o arcebispo norte-americano assinalou que “nós queremos viver em paz, mas não admitimos ser manipulados para ir contra as regras da nossa própria fé”. Até ao momento, segundo este responsável, não chegou ao Vaticano nenhum pedido da Junta Islâmica Espanhola para que se utilize a catedral como mesquita. Entretanto, os estudiosos revelaram que debaixo da catedral de Córdoba, cuja abertura ao culto para muçulmanos foi reivindicada, encontrava-se uma basílica paleocristã. O cónego arquivista da catedral de Córdoba, Manuel Nieto Cumplido, referiu à agência Veritas que “poucos sabem que sob as arcadas levantadas por Abd al-Rahmán I, em 786, no subsolo, ficam ainda os restos de uma basílica cristã dedicada ao diácono São Vicente”.


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