Nacional

Lamego mostrou arte sacra escondida

Luís Filipe Santos
...

Chegou ao fim o inventário do património religioso móvel em dois arciprestados, com resultados animadores

Durante dois anos, uma equipa de peritos fez o inventário do património religioso móvel nos arciprestados de Lamego e Tarouca. “Fizemos um inventário parcelar de três categorias: ourivesaria, pintura e escultura†e “encontraram-se peças de rara beleza†– disse ao ECCLESIA Nuno Resende, responsável científico pelo trabalho. Nos dois arciprestados (24 paróquias de Lamego e 10 de Tarouca), o responsável realça que se fez o levantamento e marcação das peças. “Agora estamos a apresentar os frutos desse trabalhoâ€. Quando começou a trabalhar neste projecto, Nuno Resende sabia que algumas obras de arte tinham sido incorporadas em museus nacionais e outras foram nacionalizadas. No entanto “fiquei surpreendido†porque “encontrámos peças belíssimas que ficaram enriquecidas com um tratamento de investigação, conservação e restauroâ€. Estas serão devolvidas às paróquias como forma “de dinamizar o culto e o próprio turismo†– sublinhou. Este trabalho vem no seguimento daquele que se fez em Vila Nova de Foz Côa e “foi um projecto financiado pela União Europeia†– disse o Pe. Hermínio Lopes, coordenador da inventariação na diocese de Lamego. Depois de terminada execução dos trabalhos fez-se uma exposição para mostrar as peças ao público. No passado dia 1 de Novembro, esta iniciativa – intitulada «A palavra e o Espírito» - conclui a sua mostra. Das várias dezenas de peças inventariadas, somente um painel, do século XVI, que estava no coro alto da Sé de Lamego, será exposto fora do culto. “Esta é a única obra musealizada†– salienta Nuno Resende. No decorrer dos trabalhos, Nuno Resende e a sua equipa encontraram “bons conjuntos de esculturaâ€. E acrescenta: “Lamego não é conhecida somente pela obra de Vasco Fernandesâ€. O culto de S. António e S. Sebastião são frequentes naquela região do Douro. “Há uma dinâmica de cultos que varia de região para região e existem óptimos trabalhos de vários artistas†– disse o responsável científico. As obras de arte revelam a religiosidade que percorreu os vários séculos na região. “Esta Região estava e está profundamente ligada à Igreja enquanto instituiçãoâ€. Neste périplo pelas 34 paróquias “compreendemos que há cultos vivosâ€. Geralmente as populações reagiram muito bem ao trabalho de inventariação porque é uma forma de “promover o património de cada paróquiaâ€. Em relação ao futuro, o Pe. Hermínio Lopes disse que espera continuar este trabalho noutros arciprestados, mas “a diocese não tem capacidade financeira para suportar um projecto desta grandezaâ€. E conclui: “Esperamos contar novamente com projectos da Comunidade Europeiaâ€.


Arte Sacra