O recrutamento por parte do governo do Uganda de milícias locais para combater a guerrilha do Exército de Resistência do Senhor (LRA) está a ser fortemente contestada pelos Bispos católicos no país, como ficou claro no comunicado “Preocupação pela paz, a unidade e a harmonia”.
“Se o recrutamento das milícias locais continuar, corre-se o risco de uma guerra étnica”, afirmou à agência Fides D. John Baptist Odama, Arcebispo de Gulu, no norte de Uganda, uma das vozoes que mais vezes se tem levantado para denunciar a situação na região.
Para este responsável, o melhor é que sejam o exército e os reservistas a defender a população civil dos ataques do LRA. “Recrutar milícias no local pode comportar o risco concreto de iniciar conflitos tribais e étnicos. Além disso, essas milícias têm recrutado também crianças, assim como o faz há tempos o LRA”, acrescenta.
O LRA é formado por Acholi, a principal etnia da região. “O governo está a recutar nas suas milícias pessoas pertencentes a outros grupos étnicos”, avança D. Odama.
“Nós queremos a paz. Esta não pode ser obtida armando a população civil”, conclui o Arcebispo de Gulu.
O LRA combate desde 1989 contra o actual Presidente, Yoweri Museveni, que tomou o poder em 1986 derrubando uma junta militar formada em grande parte por oficiais Acholi.
Segundo fontes da imprensa local, o exército ugandense posicionou um grande contingente na fronteira com o Ruanda, para impedir infiltrações de milícias hutu ruandesas, que estariam posicionadas na região.