Comissão Nacional Justiça e Paz

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SE QUERES A PAZ, PREPARA A PAZ Nota da CNJP

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Há alternativas que servem para construir essa paz autêntica, que certamente também não assenta na rendição perante a injustiça. Constroem essa paz autêntica a implementação do direito internacional, a cooperação entre os Estados, o desenvolvimento dos povos, as mudanças de regime por meios pacíficos (mudanças que a história recente também regista).

Denuncia também esta mensagem políticas educativas que reforçam a ideia da inevitabilidade das guerras: «em vez de uma cultura da memória, que preserve a consciência adquirida no século XX e não esqueça os milhões de vítimas, promovem-se campanhas de comunicação e programas educativos em escolas e universidades, bem como nos meios de comunicação social, que difundem a perceção de que se vive continuamente sob ameaça e transmitem uma noção de defesa e segurança meramente armada».

Os apelos desta mensagem não se dirigem apenas aos responsáveis políticos, dirigem-se a todas as pessoas. A polarização que hoje exacerba muitos conflitos (e também entre nós) não se limita às relações entre políticos e entre governos, invade muitos âmbitos socias.  O desarmamento que propõe esta mensagem é, antes de tudo, o «do coração, da mente e da vida».

Para esse “desarmamento” devem contribuir as várias religiões. Afirma a mensagem: «As grandes tradições espirituais, assim como o reto uso da razão, fazem-nos ir além dos laços de sangue e étnicos, ou daquelas fraternidades que reconhecem apenas quem é semelhante e rejeitam quem é diferente. Hoje vemos como isso não é óbvio. Infelizmente, faz parte do panorama contemporâneo, cada vez mais, arrastar as palavras da fé para o embate político, abençoar o nacionalismo e justificar religiosamente a violência e a luta armada. Os fiéis devem refutar ativamente, antes de tudo com a sua vida, estas formas de blasfémia que obscurecem o Santo Nome de Deus».

A paz a que aludiu Leão XIV na sua primeira alocução e a que também alude nesta mensagem não é uma construção puramente humana, é a paz que Cristo ressuscitado dá aos seus discípulos («Dou-vos a paz, deixo-vos a minha paz») é a «paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante», que «provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente».

O velho adágio “se queres a paz, prepara a guerra”, deve, pois, ser substituído por este outro: “se queres a paz, prepara a paz”.

 

Lisboa, 29 de dezembro de 2025

A Comissão Nacional Justiça e Paz