
IDOSOS: SÓS OU SOS?
Em 1 de Outubro de 1999 o Papa São João Paulo II escreveu uma carta aos anciãos[1]. Trata-se de uma partilha de fé e de vida de um homem que naquele ano, declarado pela ONU como Ano Internacional dos Idosos, já tinha percorrido um longo caminho de doação, de sofrimento e sobretudo de muita esperança e alegria de viver.
Esta carta começa com a citação das palavras do salmo 90: “A duração da nossa vida poderá ser de setenta anos e, para os mais fortes, de oitenta; mas a maior parte deles é trabalho e miséria, passam depressa e nós desaparecemos” (Sl 90, 10).
Eis uma análise crua da vida, que parece ser um espelho da desilusão e cansaço que assaltam muitos espíritos de anciãos. Independentemente do número de anos que se vive – hoje a medicina e as condições sociais e económicas conseguem aumentar notavelmente a esperança de longevidade –, é sempre verdade que eles passam rapidamente. Porém, a fé no Deus de Jesus Cristo dá-nos uma visão nova que não existia ainda no Antigo Testamento. Nós não desaparecemos, mas projectamo-nos na eternidade. Esta fé ensina-nos então que «o dom da vida, apesar da fadiga e dor que a caracteriza, é belo e precioso demais para que dele nos cansemos»[2].





