Comissão Nacional Justiça e Paz

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Notícias

RESISTÊNCIA NÃO VIOLENTA EM TEMPOS DE GUERRA? por Pedro Vaz Patto

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RESISTÊNCIA NÃO VIOLENTA EM TEMPOS DE GUERRA?

              Poderá parecer descabido, ou simplesmente utópico, falar de resistência civil, isto é, de formas não violentas de resistência e combate a um poder ilegítimo e opressor, no momento em que assistimos à guerra da Ucrânia, em que é nítida a existência de uma potência agressora e de um povo que se defende militarmente com bravura. Mas disso se tem falado em diálogos entre representantes de várias comissões Justiça e Paz europeias, sem se alcançar ainda pleno consenso. Não podia deixar de se falar em formas de resistência não violenta, em formas pacíficas de luta pela justiça. entre comissões empenhadas, precisamente, nas causas da justiça e a da paz.

            Nesses diálogos, tem sido salientado como as formas de resistência civil são hoje objeto de estudos académicos aprofundados. O livro de Michel A, Beer, Civil Resistance Tactis in the 21st Century (International Center on Non Violent Conflicts Press, 2021) expõe de modo sistemático e científico várias dessas formas de resistência, aludindo a um catálogo de 346 métodos e a uma base de dados de 1400 exemplos históricos. Esses métodos incluem ações e omissões, podem ser mais ou menos disruptivos e mais ou menos criativos. Podem ter alcance social, económico, político ou cultural. Incluem a recusa de cooperação com o poder, a desobediência a ordens ilegítimas, greves e boicotes (a vendas ou a compras de determinados produtos). Neles não se incluem métodos que envolvam alguma forma de violência, não só sobre pessoas, mas também contra a propriedade. Também se excluem comportamentos suicidas.

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CULTURA DE PAZ E GUERRA DA UCRÂNIA por Pedro Vaz Patto

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CULTURA DE PAZ E GUERRA DA UCRÂNIA

            Difundir uma cultura de paz é, naturalmente, missão essencial das comissões Justiça e Paz. As comissões europeias programaram para este ano uma ação concertada que tinha por tema, precisamente, a construção de uma nova cultura de paz à luz da encíclica Fratelli tutti. Nessa ação incluem-se propostas no sentido do desarmamento multilateral, na linha do que também vem sendo proposto pelo Papa Francisco, que sugere a criação de um fundo mundial para combater a fome com recursos poupados com esse desarmamento.

            Poucos dias antes da data em que estava programado o lançamento dessa campanha, teve início a invasão da Ucrânia. Foi imediata a reação de condenação dessa invasão por parte das comissões Justiça e Paz europeias, que também manifestaram a sua solidariedade para com o povo ucraniano. Nessa linha, contactaram responsáveis da Igreja Católica na Ucrânia. Estes, tal como representantes de outras denominações cristãs, pediram que essa solidariedade se traduzisse no envio de armas para defesa da independência da sua nação, que, diziam, é também a defesa da democracia e da liberdade em toda a Europa. Pugnaram até pelo estabelecimento de uma zona de exclusão aérea como o único modo eficaz de travar a ofensiva russa.

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A PAZ PODERÁ VENCER A GUERRA por Pedro Vaz Patto

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A PAZ PODERÁ VENCER A GUERRA

Estamos no século XXI e isto não acontece muito longe das vossas fronteiras» - Esta frase foi insistentemente repetida por um professor da Universidade Católica da Ucrânia numa videoconferência da assembleia das comissões Justiça e Paz europeias em que participei. Esse orador repetia essa frase ao descrever o que se passa no seu país. Particularmente impressionante foi verificar as condições em que proferiu tal relato: disse que iria fazer uma declaração curta e sair logo de imediato, porque tinham tocado as sirenes e teria de correr para um refúgio subterrâneo que o protegia de possíveis bombardeamentos.

Este facto (pessoas abrigadas em refúgios) fez-me recordar histórias que ouvi várias vezes a quem viveu a Segunda Guerra Mundial e que pensava arquivadas num passado remoto. Também as imagens de pessoas desesperadas a fugir para a fronteira mais próxima fazem lembrar esse passado, que parecia bem distante (na Europa, é certo, porque noutros continentes, mais afastados de nós, não tem sido assim).

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Webinar Cabo Delgado: Prioridade às Pessoas

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No dia 14 de dezembro participe no Webinar Cabo Delgado: Prioridade às Pessoas

É já no dia 14 de dezembro, pelas 19h00 hora de Lisboa/ 21h00 em Maputo que se realiza o webinar Cabo Delgado: Prioridade às Pessoas, com a participação de D. António Juliasse, Administrador Apostólico de Pemba; Zenaida Machado, investigadora da Human Rights Watch; Ivone Soares, deputada e jornalista moçambicana; Isabel Santos, eurodeputada pelo grupo S&D; numa conversa moderada pela jornalista portuguesa Cândida Pinto.

A iniciativa pretende trazer para o espaço público a trágica situação humanitária vivida na província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, na sequência do conflito armado em curso naquela região desde outubro de 2017.

Não queremos deixar cair em esquecimento que as ações violentas, levadas a cabo por grupos armados, têm resultado em intoleráveis assassinatos de cidadãos inocentes. Que até à data, morreram mais de 3100 pessoas e que se estimam 800.000 pessoas deslocadas, das quais 27% são mulheres e 52% são crianças, segundo da Organização Internacional para as Migrações.

Apesar da fuga e do apoio, estas populações vivem em situação de grande precaridade e vulnerabilidade uma vez que a ajuda humanitária continua a ser insuficiente para a dimensão da catástrofe.

É urgente uma ação que vá para além da intervenção militar, que se fundamente no desenvolvimento como garante da paz.

Esta é uma iniciativa da Cáritas PortuguesaCentro Missionário Arquidiocesano de Braga, Comissão Nacional Justiça e Paz, FEC – Fundação Fé e CooperaçãoFGS – Fundação Gonçalo da Silveira, e Rosto Solidário. Movidas pela defesa intransigente da dignidade humana as organizações promotoras vêm apelar ao reforço da vigilância de qualquer violação aos direitos humanos, ao incremento da ajuda humanitária e à promoção do desenvolvimento como meio de alcançar uma paz efetiva e duradoura.

Convidam também a que se juntem a este debate, fazendo a sua inscrição

O conhecimento e participação de todos é fundamental!