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Jansenismo |
Surgido no contexto das controvérsias protestantes (sobretudo de Calvino) sobre a graça e a liberdade, o J. foi teologicamente proposto no Augustinus (1640), obra póstuma de Jansénio (1585-1638), que interpretou erroneamente certas afirmações de Sto. Agostinho sobre o *Pelagianismo. As ideias de Jansénio foram aplicadas à vida moral pelo Abade de Saint-Cyran e por Arnauldt, em parte como reacção contra a moral casuística dos Jesuítas. Segundo o J., a graça de Deus determina irresistivelmente a liberdade humana, a qual, sem ela, não pode guardar os mandamentos (negando-se a moral natural). Apesar deste fatalismo, o J. foi a expressão mais viva do rigorismo moral nos sécs. XVII-XVIII, sobretudo na vida sacramental (adiando a absolvição aos penitentes e reduzindo o acesso à Comunhão). Condenado pelo Santo Ofí-cio (1665-1669), foi combatido pelos Jesuítas (que tiveram de enfrentar as duras críticas de Pascal nas Lettres Provinciales) e especialmente por S. Vicente de Paulo (França) e Sto. Afonso Maria de Ligório (Itália). Grande antídoto contra o J. foi a devoção ao *Coração de Jesus, que experimentou grande incremento nos sécs. XVII-XVIII. NOTA: Além do J. religioso, é costume chamar Jansenismo Político à doutrina ou praxe tendente a submeter o poder eclesiástico (papal) ao poder político (ou dos bispos reunidos em concílio contra o Papa), tomando vários nomes: Regalismo, Conciliarismo, Febronianismo... |
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