Apresentação

Siglas e Abreviaturas

Sugestões


sacrifício
1. Conceito teológico. (Do lat. = tornar sagrado). É a expressão mais forte da virtude da *reli­gião e do culto divino. Consiste na oferta à divindade, por um oferente, de um dom (a vítima) através dum mediador (o sacerdote), a significar inteira submissão, súplica de favores, reparação de pecados, desejo de entrada em união com ela (nomeadamente através dum rito de comunhão com a vítima oferecida). Entre os povos antigos, sobretudo do Médio Oriente, eram frequentes os s.s, em geral de animais que eram imolados, havendo também notícias de s.s humanos. 2. No AT, a prática de sacrifícios também era comum, havendo sinais de s.s humanos (o de Isaac, sustido a tem­po, Gn 21,1-3, e o da filha de Jefté, Jz 11,31-39, apesar de combatidos pela lei mosaica, Lv 18,21, etc.). Os dons (hóstias ou vítimas) mais fre­quen­tes eram de animais dos seus rebanhos ou de ali­men­tos (consoante a fase da vida do povo, primeiramente pastoril e depois agrí­cola). Os principais tipos de s.s eram: 1) “holocausto”, com a completa destruição da vítima (animal) pelo fogo, sobre o altar, ficando o sacerdote apenas com a pele; 2) “s. pacífico ou de comu­nhão”, com a imolação da vítima, derra­mamento do sangue sobre o altar, quei­ma da gordura como oferta a Deus, e repartição do resto entre o sacerdote e o oferente que, em banquete sagrado, com os seus comia a sua parte, em sinal de comunhão com Deus; 3) “s. reparação pelo pecado” sobretudo na festa da Expiação, com a oferta de um animal (variável com a gravidade do pecado e com as posses do oferente), terminando com a aspersão do sangue. 3. No NT, os s.s não foram rejeitados por J. C., mas Ele, fazen­do-se eco dos profetas, prefe­riu-lhes a misericórdia e o amor (Mt 9,13; 12,7), tanto mais que, com o seu próprio sacrifício, ficariam abolidos todos os s.s da lei mosaica. S. Paulo, nas suas epístolas, considerou a morte de J. C. como s., e a Epístola aos He­breus afirma repetidamente que esse sacrifício supera todos os holocaustos e os outros s.s do AT. S. João, no seu simbolismo, ao colocar a morte de J. C. na hora em que, no Templo, eram sacrificados os cordeiros pascais, reconheceu nele o verdadeiro «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (Jo 9,14; 29,37). 4. O sacrifício de J. C. é absolutamente original e de valor infinito, porquanto, nele, J. C. é oferente, é víti­ma, é sacerdote e é altar, ao dar, por amor, a vida e derramando o sangue em reparação dos pecados da humanidade e glorificação do Pai. De facto, a sua morte não foi lamentável acidente, mas doação inteiramente livre e voluntária (Jo 17,19…). Ao entregar-se à morte, J. C. fê-lo em nome da humanidade, de quem fora constituído representante e chefe, como novo Adão, pelo que nos quer ver intimamente participantes no sacrifício do Calvário. 5. O sacrifício da Missa. Antes de padecer, J. C., na Úl­ti­ma Ceia, instituiu o sacrifício eucarístico, para que nos pudéssemos associar, com eficácia sacramental, ao seu único sacrifício pascal. Pelo sinal eficaz do pão e do vinho, convertidos no seu Cor­po e Sangue, repetível ao longo dos sé­culos e por todo o lugar onde haja uma comunidade de fiéis com um sacerdote, torna-se presente o sacrifício do Cal­vá­rio, para a ele se associarem os fiéis, nomeadamente pela comunhão sacramental. O sacrifício eucarístico é o sa­cra­mento ou sinal eficaz do sacrifício cruento do Calvário que restabeleceu a nova e eterna aliança de Deus com a humanidade reconciliada. V. Eucaristia, Missa.


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