Comissão Nacional Justiça e Paz

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Comissão Nacional Justiça e Paz

POR UM DESCANSO QUE SOBREVIVA ÀS FÉRIAS

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Por um descanso que sobreviva às férias

Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga

Verão 2023

O tempo de férias está a chegar, ou já chegou, para muitos. Para alguns, é, por isso, tempo de trabalho redobrado. As férias de uns são, como se sabe, o trabalho de outros. E há ainda aqueles para quem este não é tempo de férias nem de trabalho.

Não é invulgar as férias serem um antónimo de descanso, um acréscimo de trabalho. Vivemos, aliás, um período histórico em que as fronteiras entre trabalho e descanso se têm diluído. Esse foi para muitos trabalhadores um efeito da crise mundial de saúde pública. O trabalho à distância, possível graças à Internet e às novas tecnologias, veio alterar – ou acelerar a alteração – dos ritmos convencionais, estabelecendo um contínuo onde antes havia barreiras. O emprego ocupou a casa, que era até há pouco lugar de descanso, mesmo que algo permeável a algum trabalho ocasional.

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Entrevista da Agência Ecclesia a Joaé Maia, Secretário-Geral da CNJP

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DIGNIFICAR A EDUCAÇÃO É CUIDAR O FUTURO Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

 

DIGNIFICAR A EDUCAÇÃO É CUIDAR O FUTURO Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

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 Nota CNJP ESCOLA 

DIGNIFICAR A EDUCAÇÃO É CUIDAR O FUTURO

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

"É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” Immanuel Kant

Vivemos um momento delicado em que a realidade da educação não pode ser ignorada e em que estão a ficar bem visíveis diversas problemáticas que à escola dizem respeito. Está a terminar um ano letivo muito marcado pelas greves dos professores. O tempo dirá os resultados desta contestação. 

As reclamações dos professores são conhecidas: melhoria dos salários e dos acessos a escalões de progressão na carreira de forma transparente e com equidade; a inclusão de 6 anos, 6 meses e 23 dias na contagem do tempo de serviço para progressão na carreira; o fim ou o atenuar das deslocações anuais para lecionar por esse país fora “de casa às costas”; maior clareza nas novas formas de recrutamento; menor burocracia. Reclamam-se medidas concretas que evitem que a fascinante carreira docente se transforme numa sucessão de tarefas burocráticas e pouco claras que em nada se conjugam com contextos de sala de aula cada vez mais complexos e desafiantes. Ficam ainda questões como a indisciplina, a autoridade do professor e a avaliação. E uma questão de fundo: está a escola a dar respostas áquilo que a cultura, a ciência, a economia, as empresas e as comunidades esperam dela?

Em todos estas questões, ressalta um denominador comum: a necessidade de olhar com outros olhos para os professores e reconhecer a dignidade e a importância da sua missão. Esta é uma classe profissional cuja dignidade e importância têm sido esquecidas, ou até desprezadas, nas últimas décadas. Importa agora reverter este esquecimento. Como? Certamente serão necessárias medidas mais sistémicas, de longo alcance, e outras mais imediatas e pragmáticas.

No curto prazo, urge dar respostas positivas às exigências atuais dos professores e criar um quadro de responsabilidades. É preciso revalorizar 'exteriormente' e socialmente esta profissão; isso passa por um conjunto de medidas que incluem certamente melhores salários e condições de trabalho. Há que garantir aos professores a possibilidade de uma efetiva formação ao longo da vida, que promova mais reflexão e permita encarar os desafios da inovação sem que se transformem os meios informáticos em fins em si mesmo.

No médio prazo, vale a pena ir introduzindo pequenas reformas, adaptadas a cada realidade escolar, sempre objeto de avaliação, evitando o experimentalismo gratuito. Essas reformas só serão possíveis no quadro de uma efetiva autonomia e responsabilização escolar. Uma verdadeira flexibilização curricular implica meios e mais docentes capazes de dar corpo a uma diversidade de acompanhamento educativo e não pode ser uma forma de reduzir custos nem fabricar sucessos.

No longo prazo, haverá que repensar seriamente modelos de escola e formatos didáticos e pedagógicos. Há experiências e ensaios muito interessantes em lugares de ensino por esse país e mundo fora: quase todos pouco conhecidos. Importa promover e testar modelos de organização e gestão escolar mais flexíveis, mais orgânicos, que respeitem a individualidade e a autonomia de professores e alunos. Modelos que tornem a vida dos professores mais interessante, vibrante e realizada. Espaços mais cativantes para o desenvolvimento pessoal e académico dos alunos, onde estes possam crescer no compromisso com o bem comum e no cuidado do outro.

O Papa Francisco tem estado atento a esta realidade e, no Dia Mundial dos Professores de 2021, depois de manifestar a sua «proximidade e gratidão a todos os professores» e, ao mesmo tempo, a sua «solicitude pela educação», lançou o Pacto Educativo Global para «unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna». Não há tempo a perder. Não há educação sem professores. E o futuro de um país depende do que for hoje a educação. 

 

Lisboa, 22 de maio de 2023

A Comissão Nacional Justiça e Paz

 

PEDIR PERDÃO NÃO BASTA Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

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CNJP logo

PEDIR PERDÃO NÃO BASTA

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

Fomos todos confrontados com o tremendo horror de sofrimento das vítimas de abusos sexuais e os inaceitáveis atos sobre elas cometidos, descritos no recente relatório produzido pela Comissão Independente, designada pela Conferência Episcopal Portuguesa, “Dar voz ao silêncio”.

Uma verdade que dói, mas só ela liberta, nas palavras de Pedro Strecht. De facto, só a verdade permite a imperativa ação em nome da justiça e da reparação da paz.

Ação focada sempre, em primeiríssimo lugar, nas vitimas, frágeis e vulneráveis, abandonadas e isoladas, presas nas consequências do ato que sobre elas foi cometido. Ação que procure reparar o que foi perdido, devolver o que foi tirado. Ação que de forma transparente puna os responsáveis pela barbárie que sobre elas se abateu.

O Papa Francisco repetidamente tem dito que pedidos de perdão não são suficientes quando o assunto é abuso sexual e que ações concretas devem ser implementadas para sanar, de alguma forma, os horrores vivenciados pelas vítimas. Na recente edição de março do “Vídeo do Papa” podemos ouvi-lo: “no caso da Igreja, pedir perdão é necessário, mas não é suficiente… a dor das vítimas, os seus danos psicológicos podem começar a cicatrizar se encontrarem respostas, ações concretas para reparar os horrores que sofreram e evitar que se repitam”.

A Comissão Nacional Justiça e Paz Portuguesa quer fazer parte da construção, urgente e clara, das respostas e das ações concretas que o Papa nos propõe. Para tal se disponibiliza. É o respeito pelas vítimas que nos compele. E é o nosso mandato de defesa dos mais frágeis e vulneráveis, em nome da justiça, construindo a paz.

Lisboa, 9 de março de 2023

A Comissão Nacional Justiça e Paz

 

Pelas vítimas de abusos – O Vídeo do Papa 3 – Março 2023

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