Comissão Nacional Justiça e Paz

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Nota da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga sobre a guerra em Gaza

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Nota da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga sobre a guerra em Gaza

Sabemos bem que não temos uma voz audível no plano internacional e bem sabemos, igualmente, que abundam as vozes audíveis que não têm sido devidamente escutadas. Mesmo assim, não podemos deixar de nos associar a todos os que, em todo o mundo, estão a gritar incansavelmente pela paz no Médio Oriente.

Afirmando acompanhar “com grande preocupação a gravíssima situação humanitária em Gaza, onde a população civil é esmagada pela fome e continua a ser exposta à violência e à morte”, Leão XIV renovou, no dia 27 de Julho, após a recitação do Angelus, um “apelo sincero ao cessar-fogo, à libertação dos reféns e ao respeito integral pelo direito humanitário”. Impõe-se que tal apelo seja respeitado.

É preciso parar a espiral de violência. Uma violência que se está a manifestar contra gente frágil e indefesa. Em consequência da acção do exército israelita em Gaza – empreendida após os ataques terroristas do Hamas que, a 7 de Outubro de 2023, no sul de Israel, causaram cerca de mil mortos, incluindo crianças e jovens, e a captura de duas centenas de reféns – morreram, até ao dia 15 de Julho, 18.500 crianças e jovens palestinos, cujos nomes (e, em um ou outro caso, fotografias) o diário The Washinton Post publicou no dia 30 de Julho.

É uma lista impressionante, assaz eloquente sobre o genocídio em curso, que dizimou 953 crianças antes de fazerem um ano, 943 com um ano, 972 com dois anos, 899 com três anos, 868 com quatro anos, 985 com cinco anos, 924 com seis anos (e a terrível contabilidade de crianças e jovens mortos por idade estende-se até aos 17 anos).

Mesmo quem, em vez de ler devagar, percorrer com um olhar apressado a extensa lista com o nome destas crianças assassinadas premeditadamente não deixará de sentir uma dor pungente que impõe o dever de um grito: “Basta!”.

Como escreveu Jorge de Sena no memorável poema “Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya”:
“Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém / Vale mais do que uma vida ou a alegria de tê-la.”

A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga une-se a todos os que, em todo o mundo, apelam ao governo de Israel para que pare esta mortandade e cesse este uso da fome como arma de guerra.

Agosto de 2025

 

COMBATE À POBREZA, UM DESÍGNIO NACIONAL - Declaração conjunta das Comissões Justiça e Paz

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COMBATE À POBREZA, UM DESÍGNIO NACIONAL

 A Comissão Nacional Justiça e Paz, a Comissão Justiça, Paz e Ecologia dos Institutos Religiosos, as Comissões Arquidiocesanas Justiça e Paz de Braga e Évora e as Comissões Diocesanas Justiça e Paz do Algarve, de Aveiro, de Bragança-Miranda, de Lamego, de Santarém, de Setúbal, de Viana do Castelo, de Vila Real e de Viseu querem declarar conjuntamente o seguinte:

Os dados revelados pelo recente estudo da Cáritas Portuguesa “Pobreza e Exclusão Social em Portugal” (https://caritas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Estudo-da-Pobreza_2.pdf ) assinalam que, embora nos últimos anos tenha havido alguma melhoria nos indicadores da privação material e social da população portuguesa, o ritmo do progresso é manifestamente insuficiente para atingir as metas estabelecidas na Estratégia Nacional de Combate à Pobreza. Particularmente preocupante é a deterioração do acesso à habitação e da garantia de condições mínimas de vida dignas, com o aumento das pessoas sem-abrigo e de famílias a viver em condições claramente desadequadas.

Numa fase em que um novo governo inicia funções, as referidas Comissões Justiça e Paz querem afirmar que consideram as metas e objetivos de combate à pobreza um desígnio nacional prioritário que deve mobilizar, com empenho, firmeza e determinação, o Estado como um todo, a sociedade civil e as Igrejas e comunidades religiosas.

8 de julho de 2025

 

NÃO ESQUEÇAMOS O SOFRIMENTO HUMANITÁRIO!

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NÃO ESQUEÇAMOS O SOFRIMENTO HUMANITÁRIO!

Declaração sobre os atuais conflitos no Médio Oriente e a crise humanitária em Gaza

Como co-presidentes da rede de Comissões Europeias Justiça e Paz, expressamos a nossa profunda preocupação pelos recentes conflitos no Médio Oriente.

Nestes tempos difíceis, unimo-nos ao Papa Leão XIV nos seus repetidos e urgentes apelos às partes em conflito para que exerçam a responsabilidade e a razão. No domingo, 22 de junho, apelou ao fim da tragédia da guerra, especialmente no Médio Oriente, e afirmou: “A humanidade grita e implora a paz”.

Uma semana antes, tinha declarado: “O compromisso de construir um mundo mais seguro e livre da ameaça nuclear deve ser procurado através de um encontro respeitoso e de um diálogo sincero, a fim de edificar uma paz duradoura alicerçada na justiça, na fraternidade e no bem comum. Ninguém jamais deveria ameaçar a existência do outro. É dever de todos os países apoiar a causa da paz, iniciando caminhos de reconciliação e favorecendo soluções que garantam segurança e dignidade para todos”.

Os nossos pensamentos e orações estão com a população civil da Palestina, de Israel e do Irão, que sofre as consequências dos combates.

Apelamos às partes em conflito para que respeitem os princípios do direito internacional humanitário e encetem um diálogo sincero com base no reconhecimento mútuo do direito de cada uma delas existir como Estado, tendo em vista uma paz sustentável em toda a região o mais rapidamente possível. O objetivo deve ser uma coexistência pacífica que permita a todas as pessoas da região viver com dignidade e liberdade.

O sofrimento humanitário causado pelos conflitos não deve ser esquecido no contexto da intensa cobertura mediática dos combates em curso. A situação humanitária na Faixa de Gaza é particularmente preocupante. Apelamos ao envio, o mais rapidamente possível, da ajuda humanitária necessária e a que as partes em conflito se abstenham de quaisquer ações que dificultem, ou até impossibilitem, o fornecimento de ajuda humanitária.

Bruxelas, 24 de junho de 2025

Maria Hammershøy                                                   +Antoine Hérouard

    (Co-presidente)                                                          (Co-Presidente)

 

É TEMPO DE GRITAR PELA PAZ Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre a situação na faixa de Gaza

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 Vatican News GAZA                                              É TEMPO DE GRITAR PELA PAZ

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre a situação na faixa de Gaza

Diante do horror da situação que se vive na faixa de Gaza, que testemunhamos dia após dia e que continua a agravar-se numa desproporcionalidade desmedida, a Comissão Nacional Justiça e Paz quer juntar a sua voz a todos os que clamam pela Paz.

Esta guerra foi desencadeada como reação aos deploráveis ataques terroristas da responsabilidade do Hamas que vitimaram cidadãos israelitas inocentes. Alguns destes continuam até hoje como reféns — uma realidade que condenamos firmemente e que exige uma resolução imediata. É tão inegável a barbárie dos atos de 7 de outubro de 2023, quanto o direito de defesa de uma nação. Porém, essa reação desde há muito excedeu critérios de legítima defesa e proporcionalidade. Provocou, e continua a provocar, a morte de várias dezenas de milhar de palestinianos inocentes. É particularmente abjeta e revoltante a morte e o sofrimento de crianças, a quem é negado o futuro.

A reação de Israel tem assentado em práticas, que se qualificam como crimes de guerra e contra a humanidade, com o alvo sistemático de civis indefesos, e a recusa de fornecimento de água e alimentos necessários à sobrevivência das pessoas que ali vivem. Consideramos por isso, como tantas vozes internacionais que se fazem ouvir cada vez mais alto, que devem ser levados a sério os propósitos do governo israelita, com o apoio do governo norte-americano, de eliminação e deportação coletiva da população residente na faixa de Gaza. Estes propósitos não favorecem a libertação dos reféns israelitas, não reduzem a adesão de muitos palestinianos ao Hamas, nem contribuem para que, no futuro, os povos desta região possam viver em paz e segurança.

Consideramos igualmente inaceitáveis tanto as manifestações de ódio contra o povo judeu como a associação automática entre críticas às políticas do governo de Israel e o antissemitismo, uma vez que a denúncia da situação atual é partilhada por muitas pessoas de fé e cultura judaicas.

Com esta nota, a Comissão Nacional Justiça e Paz repudia as práticas desumanas e desrespeitadoras do Direito da guerra, e espera da parte dos governos da União Europeia, pedindo em especial ao governo português, ações concretas de suspensão da cooperação com o governo de Israel, sob pena de incoerência com os princípios de defesa dos direitos humanos que regem essa União.

Associamo-nos, plenamente, ao secretário geral da O.N.U. no sublinhar de que o caminho para uma paz justa para a Terra Santa só pode ser alcançado através do reconhecimento de dois Estados que correspondam aos direitos dos povos israelita e palestiniano.

A Comissão apela a todas as comunidades religiosas, em particular a comunidade católica, para que continuem unidas na oração pela Paz naquela região do mundo e em todos os contextos feridos pela guerra, dando testemunho de que a fé não pactua com a indiferença nem com a violência, mas é caminho de reconciliação, justiça e compromisso com a dignidade de todos os seres humanos.

Exprimimos também a nossa solidariedade para com todas as pessoas da Terra Santa, em especial as que (sobre)vivem na Faixa de Gaza, e renovamos o propósito de rezar para que, apesar de tudo, elas não percam a esperança de um futuro de justiça e paz.

Lisboa, 11 de junho de 2025
A Comissão Nacional Justiça e Paz

 

Na sequência desta nota, propomos que ao longo do mês de Junho, e em jeito de oração, juntemos a voz das nossas comunidades cristãs a todas as pessoas de boa vontade, dizendo:

Escuta, Israel, o clamor que se ergue do pedaço de terra que transformaste em campo de concentração.

O clamor daqueles que se encontram reféns de terroristas e às mãos da tua cólera desmedida.

Escuta, Israel, a voz do Senhor Nosso Deus que te manda ter piedade do órfão e da viúva.

Lembra-te, Israel, de como o nosso Pai Abraão se abeirou do Altíssimo para lhe pedir clemência da cidade inteira ainda que nela apenas houvesse dez homens justos. “Destruirás o justo com o injusto?” (Gn 18, 23). E lembra-te de como por causa dos dez justos o Senhor poupou Sodoma (Gn 18, 31).

«A misericórdia e a verdade vão encontrar-se, vão beijar-se a paz e a justiça; da terra há de brotar a verdade, e a justiça espreitará do céu» (Sl 85, 11-12).

Não mais sangue, Israel. Não mais sangue. «A força de um rei está em amar a justiça» (Sl 99, 4). Não em aniquilar, nem mesmo os inimigos.

Lembra-te, Israel, dos duros cativeiros que sofreste e não queiras pagar o mal com o mal, nem curar as tuas feridas com crueldade.