
MAGNÍFICA HUMANIDADE
Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre a encíclica Magnifica Humanitas
Foi publicada há dias a carta encíclica do Papa Leão XIV “Magnifica Humanitas, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”.
As repercussões da inteligência artificial, associadas à revolução digital e à robótica, já foram consideradas a grande questão de alcance histórico com que são confrontadas as sociedades de hoje. São repercussões que abarcam os âmbitos sociais, económicos, culturais, éticos e até antropológicos (está em jogo a própria definição do que é ser humano).
Consciente desta relevância, o Papa analisa essas repercussões à luz dos fundamentos e princípios da doutrina social da Igreja, afirmando que esta assenta em verdades reveladas, as quais se vão aprofundando e renovando em resposta aos desafios das várias épocas e em diálogo com as várias culturas e saberes (n. 38). Para o Papa Leão XIV, é claro que o confronto com a realidade não diminui a força do Evangelho: “pelo contrário, permite identificar com maior lucidez o que promove realmente a vida das pessoas e das comunidades” (n. 23).
Duas imagens bíblicas atravessam o texto convidando à reflexão sobre que atitude assumir para discernir como viver com responsabilidade a era da inteligência artificial: a edificação da Torre de Babel (cf. Gn 11,1-9), onde em nome da ambição de alguns se pretende desenvolver uma autossuficiência à custa da dignidade das pessoas, e a reconstrução das muralhas de Jerusalém (cf. Ne 2-6), onde Neemias convoca e envolve todos para, a partir de uma responsabilidade partilhada, reconstruir as muralhas e a cidade. No fundo a escolha não é entre um ‘sim’ ou um ‘não’ à tecnologia, mas entre edificar Babel, ou reconstruir Jerusalém (n. 7-10).








