NÃO VIOLÊNCIA ATIVA E LEGÍTIMA DEFESA
Num tempo em que os ventos sopram no sentido da preparação para a guerra como uma inevitabilidade e do reforço do armamento como fundamento da paz, e em que as palavras do Papa Leão XIV surgem como “voz que clama no deserto” contra esses ventos, a nota da Conferência Episcopal Italiana Educare a una pace disarmata e disarmante (acessível em www.chiesacattolica.it, 5/12/2025) merece reflexão.
Aponta essa nota no sentido da rejeição da legitimidade da guerra mesmo para além das situações cobertas pela doutrina tradicional da “guerra justa” tal como são enunciadas no Catecismo da Igreja Católica (n. 2309). É referida, a esse respeito, a afirmação do Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti (n. 258) de que é hoje «muito difícil» que se verifique a condição de legitimidade da guerra segundo a qual os malefícios dela decorrentes (cada vez mais graves e incomensuráveis) não poderão ser superiores aos malefícios que ela pretende evitar. A proposta será, então a de reagir a agressões armadas através de várias formas de “não violência ativa”: protestos, greves, boicotes e desobediências contra autoridades ilegítimas, de que são exemplos paradigmáticos as ações de Mahatma Gandhi e Martin Luther Kimg, entre outros.
Essas várias formas de “violência ativa”, ou “resistência civil”, são hoje objeto de estudos académicos aprofundados. O livro de Michel A, Beer, Civil Resistance Tactis in the 21st Century (International Center on Non Violent Conflicts Press, 2021) expõe-nas de modo sistemático e científico.
Não posso deixar de pensar, a este propósito, nos meus colegas da comissão Justiça e Paz ucraniana, que, de modo veemente, sempre sustentaram, e continuam a sustentar, a legitimidade da defesa armada do seu país contra a guerra de agressão russa e o ceticismo que demonstram quanto a tais métodos não violentos, tendo em mente os massacres de pessoas inocentes (nem sequer opositores não violentos) seus compatriotas praticados nas cidades de Mariupol, Butcha e Borodyanka.







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